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Tudo Pelo Poder

22 dez 2011

written by Memória Cinematográfica

George Clooney é um dos queridinhos dos cinéfilos e não apenas por conta de seu charme como poucos atores têm. Clooney mostrou também que é ótimo profissional do lado de lá das câmeras. Em 2002, dirigiu “Confissões de uma Mente Perigosa” e, três anos depois, mostrou ao mundo “Boa Noite, Boa Sorte”, longa-metragem que foi indicado ao Oscar em seis categorias, incluindo Melhor Diretor. Depois ainda dirigiu a comédia “O Amor Não Tem Regra”, em 2008.

Desta vez, “Tudo Pelo Poder” (“The Ides of March”), seu novo filme, e que tem estreia no Brasil apontada para o dia 23 de dezembro, já recebeu quatro indicações ao Globo de Ouro 2012 nas categorias Melhor Filme Drama, Roteiro, Direção e Ator, para Ryan Goslyn.

A fita é baseada na peça de Beau Willimon, “Farragut North”, e foi inspirada na experiência de Willimon como colaborador durante a mal sucedida campanha presidencial de 2004 do político do partido democrata Howard Dean.

Clooney, que adaptou o roteiro com Grant Heslov, faz o papel do governador Mike Morris, que luta por um lugar na Casa Branca. Apesar de sua campanha sofrer impacto com a descoberta de corrupção em Wa­shington, é em torno de seu assessor de imprensa, Stephen Meyers (Ryan Gosling, de “A Garota Ideal”), que gira a história e serão os seus passos que o espectador terá de seguir para saber o que está acontecendo na campanha do governador, que é coordenada por Paul Zara (o brilhante Philip Seymour Hoffman, de “Dúvida”). E, como confiança e lealdade são motes na política, é sempre a mesma história, tal como na vida real: ajoelhou, tem que rezar!

Do outro lado da disputa está o candidato cuja coordenação é feita por Tom Duffy (Paul Giamatti, de “A Luta Pela Esperança”), que busca a vertente mais cômica de sua personagem, além de ser hipócrita e maquiavélico. Para completar o elenco de ótimos atores, Marisa Tomei (“O Poder e a Lei”) é a repórter do New York Times responsável por levar as informações à população. Há ainda a estagiária do candidato, Molly (Evan Rachel Wood, de “O Lutador”), que apesar dos seus 20 anos, mostra superioridade ao chefe.

E, mais uma vez, Clooney vai mexer no vespeiro. O longa mostra, de maneira elegante, os bastidores da política. As personagens, sejam elas da situação ou da oposição, são passionais, vivem a política com todo o entusiasmo e os atores conseguem demonstrar isso ao espectador, a começar por Hoffman, como um dos responsáveis pela carreira política do presidente. Com diálogos longos e bem construídos, a fita é bem sucedida também nas imagens, com direção limpa, mas que brinca com os reflexos dos atores nos vidros, por exemplo.

No jogo de sedução, mais uma vez o espectador assiste ao envolvimento de “gente de alto escalão” com estagiários, além dos escândalos comuns na política. Sem contar a chantagem da busca pelo poder, as manipulações, as manobras políticas para se dar bem (e para derrubar o adversário, afinal, vale tudo) e as brigas internas.

Aqui, a política serve como pano de fundo para contar uma história que trata também de sexo, ambição, lealdade, traição e vingança, sem se esquecer dos elementos shakespearianos que pontuam as cenas.

Às vésperas das eleições municipais, “Tudo Pelo Poder” é um filme obrigatório para o cidadão, mas também para o cinéfilo que faz questão de assistir a uma obra-prima, como poucas têm sido feitas ultimamente, até porque, a cada produção, George Clo­o­ney mostra que não é apenas um rostinho bonito e o último solteirão de Hollywood. É um ator e um diretor que merece respeito por aquilo que faz bem. Aliás, muito bem.


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