Memória Cinematográfica

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Foi Apenas um Sonho

Estreia Oscar 30 janeiro 2009

Com um Globo de Ouro na mão, ainda que tenha sido esquecido entre os indicados às categorias principais do Oscar, “Foi Apenas um Sonho” (“Revolutionary Road”) estreia nos cinemas brasileiros nesta sexta, 30.

À primeira vista, pelo fato de os protagonistas serem o par romântico Kate Winslet e Leonardo DiCaprio, os mesmos que fizeram sucesso em “Titanic”, pode parecer que o longa-metragem seja uma história de amor piegas, sem graça e que os atores são apenas rostinhos bonitos de Hollywood.

Ora, o melhor é não pensar assim, e vou explicar por quê. Vamos aos fatos: o filme é dirigido por Sam Mendes, o mesmo responsável por “Beleza Americana” (que não tem nada de convencional), “Uma Estrada para a Perdição”, entre outros. Desse modo, já é possível não se esperar uma produção tosca, ainda que a fita não tenha seduzido os responsáveis pela votação na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Outro detalhe é que Kate Winslet, esta atriz inglesa de 33 anos, está mostrando, de uma vez por todas, a que veio. A começar pelos dois Globos de Ouro que já recebeu este ano, sendo um na categoria de Melhor Atriz por este filme, e o segundo como Coadjuvante em “O Leitor”, filme que estreia em 6 de fevereiro. Ao Bafta (considerado o Oscar inglês), Kate concorre com ela mesma ao prêmio de Melhor Atriz.

Há muito considerado galã, DiCaprio tem tentado, produção após produção, acabar com a fama de bom moço e fazer com que ela conspire em prol de seu bom trabalho. Cá entre nós, acredito que ele tem conseguido, principalmente depois que interpretou o obsessivo Howard Hughes em “O Aviador“. Ponto positivo também em “Os Infiltrados“, quando trabalhou ao lado de Jack Nicholson e Matt Damon (e sob direção de Martin Scorsese), assim como sua boa interpretação em “Diamante de Sangue“, ainda que o filme não tenha sido tão bom quanto o anterior, e novamente em “Rede de Intrigas”, que foi exibido no Brasil no final do ano passado.

Pois bem, voltemos a “Foi Apenas um Sonho”. No decorrer da fita, aliás, já será possível entender o significado do título, já que o original é apenas o nome de uma estrada onde o casal vai morar.

Na trama, inspirada no romance de Richard Yates, Frank e April se conhecem em um bar da cidade onde vivem nos anos 1950. Motivados pela companhia um do outro, eles se casam e começam a viver sem se preocupar com as regras e os bons costumes da época. O que importa para ambos são os ideais. Principalmente porque April é uma aspirante a atriz de teatro que não obteve sucesso na carreira, e por isso abriu mão de seu sonho para cuidar dos dois filhos. Por outro lado, Frank executa um trabalho burocrático do qual não se orgulha, ainda que seu pai tenha trabalhado na mesma empresa anos antes.

Com chapéu e terno cinza (como os outros homens), Frank viaja de trem todos os dias para trabalhar e paquerar as secretárias, enquanto April cuida da casa e planeja os sonhos em conjunto com a família, já que ela imagina que poderia se mudar para Paris, onde certamente teriam melhores condições de vida ou, no mínimo, novas experiências e paisagens que não há na América, embora a corretora (Kathy Bates), que se torna uma importante personagem, venda o famoso sonho americano. Encantadora e com mudanças bruscas de humor, April será responsável pelo rumo da família.

Embora tenha alguns clichês e a certa altura seja previsível, “Foi Apenas um Sonho” é daqueles filmes em que o espectador se vê capaz de se emocionar, dar risadas, admirar, sentir raiva e torcer pelos personagens. Some a isso também boas interpretações não apenas dos protagonistas, mas de todo o conjunto.

O filme concorre ao Oscar nas categorias: Ator Coadjuvante (Michael Shannon), Direção de Arte e Figurino.

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