Memória Cinematográfica

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Crimes de Autor

A cada semana, mais filmes franceses entram em cartaz, embora passe despercebido pelos freqüentadores de redes de cinema exclusivamente comerciais. No mês passado, por exemplo, estreou “Piaf – Um Hino ao Amor”, uma produção sobre a vida da cantora francesa Edith Piaf, com direção de Olivier Dahan. Semana que vem, dia 23, estréia outro, “Lady Chatterley”, dirigido por Pascale Ferran.

Quem tem a oportunidade de partir para salas de cinema que ficam ao redor da Avenida Paulista, por exemplo, pode acompanhar estréias importantes como a de “Crimes de Autor” (“Roman de Gare”), que entra em cartaz a partir do dia 16 de novembro, com certeza em um curto circuito, justamente após passar pela 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que aconteceu no mês passado.

Na ocasião, o diretor do filme, Claude Lelouch, marcou presença e aproveitou para debater sobre sua nova obra com os cinéfilos de plantão.

Na fita, a famosa escritora Judith Ralitzer (Fanny Ardant) é acusada pelo assassinato de seu ghost-writer Pierre (Dominique Pinon) durante estadia em seu iate no mar de Cannes, onde os dois se refugiaram para que ele escrevesse o seu mais novo romance.

No entanto, no meio do caminho para a cidade litorânea, Pierre conhece a cabeleireira Huguette (Audrey Dana), que servirá de inspiração e personagem para a história, mas também desencadeará um novo destino.

Com produção e roteiro também de sua autoria, Lelouch conta uma história singular, intimista e consegue, por intermédio de suas lentes, inserir o espectador na trama e fazer com que ele viaje junto pelas estradas francesas, fazendo desta obra também um “road movie”.

Além de a história se passar em um posto de gasolina na estrada, outra locação é uma cidade do interior onde mora a família de Huguette, bem como o iate da rica escritora.

Durante toda a projeção, Lelouch mantém o mistério sobre a personalidade do ghost-writer, uma vez que há também indícios de que um serial killer fugiu da prisão. Dominique Pinon desenvolve bem o seu papel e convence o espectador, assim como Audrey Dana, no papel da cabeleireira, que divide o seu tempo como garota de programa, embora queira mudar de vida para dar orgulho à filha (que vive com seus pais longe de Paris).

“Crimes de Autor”, nome dado a uma das obras da escritora, traz uma mistura de drama, mistério e romance, que vai prender o espectador do início ao fim. A trilha sonora, com música original de Alexandre Jaffray, completa a obra de arte.

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