Memória Cinematográfica

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Lula, O Filho do Brasil no Oscar?

Oscar 23 setembro 2010

A Academia Brasileira de Cinema anunciou que, por opinião unânime da Comissão de Seleção (formada por nove pessoas da própria ABC, da Agência Nacional de Cinema e do Ministério da Cultura), o longa-metragem “Lula, O Filho do Brasil”, de Fábio Barreto, vai concorrer a uma indicação à categoria de Melhor Filme Estrangeiro na 83ª edição do Oscar promovida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Segundo o presidente da Academia, Roberto Farias, a escolha se deu por ser o filme mais bem feito, e que “honra a cinematografia brasileira e tem como atriz Glória Pires, que se torna uma excelente candidata ao prêmio de Melhor Atriz”. E completa: “Nossa posição não tem nenhuma ligação política. Lula é uma estrela aqui e fora daqui, internacionalmente conhecida”.

Vale lembrar que o filme ainda não foi escolhido para ir ao Oscar no ano que vem, cuja cerimônia foi marcada para dia 27 de fevereiro. “Lula, O Filho do Brasil” foi escolhido pelo Brasil para tentar uma vaga na categoria e, então, concorrer a uma das cinco disponíveis. Para a escolha, serão mais de 95 países e serão anunciados em 25 de janeiro.

Outros 22 filmes também estavam disputando a indicação: “A Suprema Felicidade”, “Antes que o Mundo Acabe”, “As Melhores Coisas do Mundo”, “Bróder”, “Carregadoras de Sonhos”, “Cabeça a Prêmio”, “5X Favela – Agora Por Nós Mesmos”, “Chico Xavier”, “É Proibido Fumar”, “Em Teu Nome”, “Hotel Atlântico”, “Nosso Lar”, “O Bem Amado”, “O Grão”, “Olhos Azuis”, “Os Inquilinos”, “Os Famosos e os Duendes da Morte”, “Ouro Negro”, “Quincas Berro D’água”, “Reflexões de um Liquidificador”, “Sonhos Roubados” e “Utopia e Barbárie”.

O Ministério da Cultura também colocou a votação para o público, mas parece que não a levou em conta, uma vez que o público parece gostar mais de filmes que tratam de espiritismo, haja vista a audiência de “Nosso Lar”, inspirado em livro de Chico Xavier, por exemplo.

Não assisti a todas as produções citadas, mas com certeza o filme escolhido não estaria na minha lista (tampouco “Nosso Lar”), principalmente porque é morno: não empolga nem ofende. Além disso, transforma o presidente Lula em herói, não mostra sua trajetória política  (apenas a infância pobre, a perda do dedo e depois encerra com o desfile após eleição, em 2002), é manipulador (na medida em que indica o momento da emoção ao espectador) e também porque o filme não fez o sucesso esperado nem de crítica nem de público (cerca de um milhão de espectadores assistiram à fita).

Para se ter uma ideia de comparação, “Nosso Lar” fez, em sua terceira semana de exibição, mais de 2,5 milhões de espectadores, e arrecadou quase R$ 24 milhões até agora, sendo que custou R$ 20 milhões.


A última vez que o Brasil esteve presente no Oscar foi em 2004, com “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles. A fita recebeu quatro indicações: Melhor Diretor, Edição, Roteiro Adaptado e Fotografia. Desde então, as escolhas do governo brasileiro foram ignoradas pela seleção: “Olga” (2005), “2 Filhos de Francisco” (2006), “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2007), “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” (2008), “Última Parada 174” (2009) e “Salve Geral” (2010).

Neste ano, quem ganhou na categoria de Melhor Filme Estrangeiro foi o argentino “O Segredo dos Seus Olhos”. Um filme sensível e muito bem feito com produção baixa. Com “Lula, O Filho do Brasil”, que custou mais de R$ 16 milhões (e teve patrocínio de grandes empresas), acredito que, novamente, estaremos fora do Oscar e vamos mostrar como estamos atrasados na produção cinematográfica, fazendo filmes sem graça e que, se nem a própria população prestigia, quem dirá a Academia.

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