Memória Cinematográfica

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Procurando Elly

Iraniano 26 janeiro 2010

“Procurando Elly” (“Darbareye Elly”) estreou dia 1º de janeiro nos cinemas (após passar pelo Festival do Rio e pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo), mas vi na semana passada no CineSESC e, de fato, me surpreendi com a produção iraniana. Muito bom, mesmo.

A fita conta a história de Elly (Taraneh Alidoosti), professora da creche onde estuda a filha de Sepideh (Golshifteh Farahani). É por ela, aliás, que Elly é convidada para viajar com sua família e, enfim, conhecer o amigo, Ahmad (Shahab Hosseini), que acabara de voltar a viver no Irã, após passar uma temporada na Alemanha.

O grupo segue para uma casa às margens do mar Cáspio para se hospedar por três dias. São irmãos, cunhados, amigos e algumas crianças. Tudo em clima familiar para se divertir e, quem sabe, arrumar o casamento para o jovem, já que ele foi infeliz no seu.

No entanto, no segundo dia da viagem Elly diz que quer ir embora, mas a amiga a impede e um incidente faz com que ela desapareça. Com ajuda das crianças, que podem dar pistas sobre para onde ela foi, todos vão em busca de Elly e os parentes começam a se mostrar insatisfeitos por terem convidado uma moça de quem mal sabiam o nome completo.

“Procurando Elly” não para. Tão logo um assunto é resolvido, logo o diretor Asghar Farhadi, também autor do roteiro, ao lado de Azad Jafarian, coloca outro enigma a ser desvendado.

O longa-metragem, que ganhou o Urso de Prata (melhor direção) no Festival de Berlim 2009, fala sobre os costumes do islamismo e mostra as mulheres vestindo o véu. Em uma passagem, um dos personagens diz falar a verdade e que basta trazer o Alcorão para que ele confirme tudo, ou seja, mostra o apreço que o iraniano tem pela religião que seguem e o quanto isso é importante para a família. Sem contar sobre os casamentos arranjados, pois a ideia, antes do desaparecimento de Elly, é que Ahmad a pedisse em casamento.

Com seus diálogos, enredo e personagens, “Procurando Elly” é desses filmes que acrescentam à vida do espectador. Com certeza, você também vai torcer para Elly ser encontrada e pode ser que fique pensando sobre o desfecho da trama, ainda que uma semana depois.

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