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Distrito 9

16 out 2009

written by Memória Cinematográfica

Parece um documentário, com depoimentos no início, bem ao estilo Michael Moore (de “Sicko – S.O.S. Saúde”, “Fahrenheit 11 de Setembro”, “Tiros em Columbine”) de se fazer, mas, cerca de meia hora depois do início da fita, o diretor estreante no formato de longa-metragem Neill Blomkamp conta a história sobre os alienígenas que estão há 20 anos na Terra e, por algum motivo, não conseguem voltar para casa.

Com produção de Peter Jackson, responsável pela trilogia “O Senhor dos Anéis”, nada poderia ter sido melhor para Blomkamp, que escolheu sua terra Natal, Johannesburgo (África do Sul), para ser o cenário de “Distrito 9” (“District 9”), o longa de ficção científica que conta na tela grande. Na trama, os alienígenas se tornaram refugiados por não conseguirem retornar para casa e foram alojados em barracos localizados no Distrito 9, enquanto as nações do mundo discutiam o que fazer com eles.

Contudo, quando o prazo já se esgotou (bem como a paciência das autoridades), a União Multinacional (MNU) precisa retirar os aliens a qualquer custo de lá. Eis que um agente, Wikus (Sharlto Copley), é destacado para convencer os ETs a deixarem o acampamento, até que contrai um vírus e é afastado de sua esposa, Tânia (Vanessa Haywood), principalmente porque seu pai, Koobus (David James), diretor da empresa, faz a sua cabeça e inventa mentiras a respeito do modo como o vírus fora contraído.

No filme, a história se alterna entre o que é ficcional e o que é, na concepção do diretor, ultrarrealista, visto que há misturas de imagens em estilo documental, imagens reais do noticiário local, além das imagens feitas com a ajuda do computador, como é o caso das criaturas, que no longa eles chamam de camarões. No entanto, o espectador pode jurar que se trata de algo verdadeiro, extremamente real.

Um ponto que faz a plateia achar isso é o fato de que, antes de rodar o longa, Blomkamp fez o curta-metragem no estilo documentário “Alive in Jo’burg”, cujo cenário foi uma favela de Johannesburgo anos atrás. De acordo com o material de divulgação para a imprensa, o cineasta saiu às ruas com a equipe de filmagem para registrar as reações reais das pessoas, pois seus entrevistados entenderam que “alien” se tratava do conflito e da xenofobia existentes entre os cidadãos de Johannesburgo para com a invasão de imigrantes ilegais (na expressão em inglês, “illegal aliens”, ou simplesmente “alien”) vindos dos países vizinhos. Blomkamp diz que não tentou enganar as pessoas entrevistadas propositalmente. “Eu só queria obter as respostas mais reais e genuínas possíveis.”

Filmes sobre ETs existem aos montes, há diversos exemplos no cinema e, cada criador, seja ele Steven Spielberg (de “ET – O Extraterrestre”), Roland Emmerich (de “Independence Day”), Ridley Scott (de “Alien”) ou Barry Sonnenfeld (de “MIB – Homens de Preto”) deu à sua criatura o aspecto como enxerga esses seres de outros planetas.

Pois bem, especialista em efeitos visuais, o diretor de “Distrito 9” levou às telas a sua visão pessoal acerca da vida extraterrestre. Ou seja, eles “não são atraentes, não são bonitinhos nem apaixonantes”. Segundo Terri Tatchell, corroteirista ao lado do diretor, Blomkamp optou por um tipo de alienígena assustador, duro, quase um soldado.

Com direito a espaçonave e cenas grotescas que conseguem enojar o espectador no cinema, a discussão de “Distrito 9” vai além da bobagem de se fazer retratos bizarros de seres de outros planetas. Isso porque, nas entrelinhas (ou escancaradamente para o cinéfilo mais atento), a fita fala sobre a população que vive às margens, do preconceito de quem não consegue emprego, além, é claro, do Apartheid (a segregação racial sul-africana).

Para se ter uma ideia, o alien fala e entende a língua dos humanos, está sujeito às leis de onde vive (e pode, sim, de repente ser despejado do barraco ilegal), tem nome (o principal chama-se Christopher e é vivido por Jason Cope), tem filho (C.J.) e, para arrematar, pensa em seu povo antes de tudo, quando tem a oportunidade de recomeçar.

No final (calma, eu não vou contar), ao contrário dos filmes europeus, tem-se uma ideia do que vai acontecer mais pra frente (uma sequência, talvez?). O desfecho não é totalmente explícito, tal como nos filmes hollywoodianos, mas também não tão aberto como os europeus de um modo geral.


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