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Inimigos Públicos

24 jul 2009

written by Memória Cinematográfica

Na Chicago dos anos 1930, após a Grande Depressão e quando os cidadãos viviam sem dinheiro e achando que as instituições financeiras tomavam o pouco que tinham, um famoso ladrão de bancos, John Dillinger (Johnny Depp, de “Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet“), não é detido por nenhuma prisão e vira o tormento do detetive Melvin Purvis (Christian Bale, de “Batman – O Cavaleiro das Trevas“), que faz da perseguição o mote de seu trabalho.

Basicamente, este é o tema de que trata “Inimigos Públicos” (“Public Enemies”), longa-metragem que estreia nesta sexta-feira, dia 24 de julho, nos cinemas brasileiros (e cuja estreia nos Estados Unidos foi em 1o de julho), e que lembra os filmes protagonizados por Al Capone (o famoso bandido filho de italianos).

Perfeito malandro, Dillinger conhece a bela Billie Frechette (Marion Cotillard, de “Piaf – Um Hino ao Amor“) e a faz parar de trabalhar na chapelaria de um restaurante e promete fazer de tudo por ela, desde que ela esteja disponível para cair no mundo ao seu lado. Em dois minutos, ele lhe conta o que faz da vida, onde cresceu e o que pretende.

Então, o diretor Michael Mann (o mesmo de “Colateral“), também autor do roteiro baseado no livro de Bryan Burrough, aponta as lentes de sua câmera na mão para a perseguição que J. Edgar Hoover (Billy Crudup) indica como missão ao detetive Purvis. A perseguição, aliás, vai durar praticamente 140 minutos pelos quais o filme se arrasta. Sim, é muito tempo e a história, por mais interessante que seja, é levada lentamente para a tela do cinema. Lentamente no sentido de os fatos demorarem a se desenrolar, uma vez que a câmera de Mann é rápida, com muitos cortes, com cenas cheias de tiros e sangue, imagens em primeiro plano para mostrar a tensão dos personagens em foco. Muito sangue, aliás, que talvez seja o motivo de a censura ser 16 anos.

Com direção de arte impecável, principalmente por conta dos móveis e figurino de época, e os automóveis Ford que circulam pelas ruas norte-americanas, o longa mostra um Johnny Depp fazendo o perfeito bandido com ar de malandro. Como já viveu no cinema papéis bizarros, como o barbeiro serial killer, o dono de “A Fantática Fábrica de Chocolate“, além do protagonista em “Piratas do Caribe“, Depp é, sem dúvida, o destaque da fita, que aproveita seu bom humor nos diálogos para quebrar a tensão das cenas e das negociações com a polícia.

Não se pode esquecer também da presença marcante da atriz francesa Marion Cotillard, que fez pesquisas com mulheres e namoradas de gângsteres para construir a sua personagem.

“Inimigos Públicos” é um filme que fala também sobre como driblar a lei, sobre justiça, perseguição, amor, cumplicidade, fidelidade. Como outros anteriores do diretor, este longa discute também a ética. Mas é também um filme tenso com um pouco de bom humor. Por ser longo demais e ter uma narrativa que não justifica o tempo perdido, o espectador pode se entediar ao acompanhar a busca dos policiais que se repete em excesso até que consiga chegar ao final do que de fato aconteceu. A cena de desfecho, aliás, é clássica, mostra bem o autor das imagens, principalmente porque sim, Michael Mann tem a mão pesada demais.


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