Memória Cinematográfica

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Presságio

Coisas da vida 23 abril 2009

Alex Proyas é um diretor especialista em filmes para a televisão e videoclipes. Para o cinema, fez a ficção científica “Eu, Robô” e, há duas semanas, estreou no Brasil com seu longa-metragem “Presságio” (“Knowing”). Na fita, Nicolas Cage é um professor cujo filho recebeu uma carta na escola, que estava dentro da cápsula do tempo enterrada 50 anos atrás.

O filme começa justamente mostrando a escola no ano 1959, quando a professora pede aos alunos que façam desenhos para serem depositados na cápsula do tempo que só seria aberta cinco décadas depois. A ideia era que os desenhos fossem feitos a partir do tema “Como você acha que será o mundo no futuro?”. Apenas uma das crianças, uma menina (com cara de perturbada), não faz desenhos, mas escreve números sem parar. Na frente e no verso da folha.

Como não poderia ser diferente em um filme previsível, esse envelope com a folha cheia de números é a que cai para o filho do professor. De olho nas coisas do filho, ele pega a tal folha e começa a refletir sobre que tipo de código poderia ser aqueles números.

É a partir de então que o espectador pode começar a olhar com desconfiança para o filme. Isso porque, com um monte de número juntos, o personagem começa a descobrir que eles, na verdade, são datas que determinam desastres e se comprovam que muitos aconteceram nos últimos 50 anos. A primeira data que ele confirma, aliás, não poderia ser outra senão 11 de setembro de 2001 (!). Daí pra frente, com a ajuda da internet, ele vai assinalando os desastres.

Três deles, porém, ainda não aconteceram, e é com esse dado em mãos que Cage parte para a loucura do filme, que é dar uma de salvador ou super-herói, como quiser, para que a profecia (ou será o presságio?) não se confirme.

Assisti a este filme sem pretensão nenhuma, sem conhecer a história e saí de lá arrependida. Na verdade, não é bem um arrependimento, mas esse sentimento estranho só veio minutos antes do final, porque o filme, apesar da história forçada, vai bem, envolve o público (que talvez se interesse por saber quais serão esses desastres), mas há uma determinada cena (que eu prefiro não contar, porque você, caro leitor, ainda pode querer vê-la) em que Nicolas Cage se ajoelha em um campo. Neste momento, eu digo, nem ele acreditou no que estava por vir e caiu de tristeza. (Desculpa, não resisti.)

Embora ainda tenha cenas bem-filmadas, como a do metrô, há outras que não descem, como as sequências de incêndio que tomam conta da narrativa e serão responsáveis pelo apocalipse (ou será o inferno?). E algumas coisas sem repostas, como as pedrinhas pretas que são dadas por seres sussurrantes que só são ouvidos por duas crianças.

“Presságio” peca por não ter um foco, por misturar religião, física e adivinhação. Peca por ter um final que beira o risível, principalmente quando ensaia um recomeço após o apocalipse.

Nos Estados Unidos, o filme ainda está entre os 10 primeiros mais vistos do final de semana. No Brasil, ocupa a quarta colocação. Na sessão em que eu estava, no domingo, dia 19, a sala três do Cinemark Eldorado, que tem 265 lugares, estava praticamente lotada. Nada mal no meio do feriadão para um filme ruim.

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