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Bolt – Supercão

22 dez 2008

written by Memória Cinematográfica

Depois de “O Galinho Chicken Little”, animação 3-D da Disney, lançada em 2005, e “A Família do Futuro“, de 2007, estréia em 1º de janeiro a nova animação do estúdio: “Bolt – Supercão” (“Bolt”).

A primeira observação sobre esta produção diz respeito à produção: “Bolt – Supercão” tem assinatura de John Lasseter como produtor executivo. Ele, que desde 2006 é diretor-geral de criação dos Estúdios Disney, é também diretor dos sucessos “Toy Story”, “Vida de Inseto”, “Carros“, além dos primeiros curtas-metragens produzidos pela Pixar.

Foi após a aquisição da Pixar pela Disney que Lasseter começou a produzir os seus filmes – e é a partir daí que podemos conferir a melhora tanto no visual quanto no enredo. Esta afirmação pode ser confirmada em “Bolt”.

A fita começa contando a história de quem é o cachorro, que é escolhido na pet shop pela garotinha Penny. Corta e vamos para cinco anos mais tarde. A partir de então, recomeça a história da menina com o cachorro, correndo de um lado para o outro.

A metalinguagem tem início quando, de repente, o espectador se dá conta de que, na verdade, Penny é atriz e o cachorro não tem superpoderes: é tudo trucagem e efeitos especiais para a televisão.

Sem se dar conta de que está interpretando um personagem, Bolt foge para salvá-la das garras do vilão e, de Hollywood, ele vai parar em Nova York. Na Big Apple, Bolt faz amigos e, na companhia da gata Mittens (com voz de Maria Clara Gueiros, na versão em português) e do hamster Rhino, ele segue para salvar a parceira. Ele, aliás, é viciado em televisão e não perde um episódio de Bolt. É de Rhino a responsabilidade para que Bolt descubra que não é tão poderoso assim.

Com um aspecto de road movie, a animação (que será exibida também em 3-D nos cinemas capacitados para isso) segue sustentada por um roteiro bem-escrito e personagens engraçados que cativam o espectador. “Além do humor, é preciso haver emoção. Walt Disney sempre dizia: ‘Para cada gargalhada, deve haver uma lágrima’. E eu acredito nisso”, comenta Lasseter.

Outro destaque positivo é a questão da verossimilhança. É claro que um cachorro não faz o que Bolt faz – nada ali é real; mas há naturalidade, principalmente nos movimentos do desenho.

Além dos três personagens, no meio do caminho deles aparecem pombas que lembram os pingüins de “Madagascar“. Isso porque, embora personagens coadjuvantes, eles tomam conta da cena e seus diálogos são divertidíssimos. A dublagem em português, por exemplo, tem sotaque de moradores da Móoca que são de fazer o público rir a valer.

Em uma das passagens, a personagem que faz o papel de produtora do canal de televisão afirma que o filme não pode ser previsível e que deve, para sobreviver, cativar “os bobalhões” que têm entre 18 e 35 anos. O filme debocha do mundo das celebridades, fala em coletiva de imprensa e há uma cena que faz referência a “Procurando Nemo“. Embora Penny seja moderna, ela ainda tira fotos com uma máquina do tipo Polaroid.

Como é comum nos filmes da Disney, há canções no meio da trama. Aqui, no entanto, não se vê um cachorro parado para cantar; há um clipe com cenas da menina e do cão, quando eles estão separados.

“Bolt – Supercão” é o divisor de águas do estúdio e define bem os efeitos benéficos que teve a compra da Pixar pela Disney. Ou seja: enquanto produzia animações tradicionais (2-D), a Disney fazia sucesso, mesmo depois da morte de Walt. No entanto, a partir do momento em que se começou a fazer animações totalmente pelo computador (3-D), a Disney não conseguiu atingir a perfeição, tal como conseguiu a Pixar.

Embora desde “Toy Story” a Disney tenha parceria na distribuição dos filmes da Pixar, após “Os Incríveis“, lançado em 2005, a produtora terminaria com o contrato e iria atrás de uma nova distribuidora (que poderia ser a Warner Bros.) para lançar os seus filmes de animação.

Ora, após o fracasso de “O Galinho Chicken Little”, o Walt Disney Studios, o maior e mais importante no segmento de animação, não podia perder o seu maior trunfo para outro estúdio. A solução encontrada, portanto, foi a negociação de compra: bom para a Pixar, bom para a Disney e, claro, bom para o público, que agora pode contar com boas produções de ambos os lados.

Em tempo: “Bolt – Supercão” foi um dos três longas de animação indicados ao Globo de Ouro. Os outros dois são “Wall-E” (da Pixar) e “Kung Fu Panda” (da DreamWorks). Faça a sua aposta!


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