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As Aventuras de Molière

18 jul 2008

written by Memória Cinematográfica

Para contar a história do dramaturgo francês Molière, o diretor Laurent Tirard, autor do livro “Grandes Diretores de Cinema” (Nova Fronteira, 256 páginas) e do filme “A História da Minha Vida, Mentiras e Traições”, se absteve de fazer os comuns documentário ou biografia romantizada que já havia sido feito anteriormente por outros autores. Em “As Aventuras de Molière” (“Molière”), que estréia nos cinemas dia 18 de julho, Tirard faz o dramaturgo de uma maneira que o aproxima do espectador.

Molière, que praticamente inventou o gênero comédia no teatro e é pseudônimo de Jean-Baptiste Poquelin, zombava da nobreza em suas peças pelo interior da França e depois as levou para Paris, onde conseguiu admiração e respeito do grande público do século 17. Quem teve a oportunidade de assistir à peça “O Avarento”, cuja última montagem foi interpretada por Paulo Autran, em São Paulo, pôde perceber como a comédia é bem-feita por este autor e o riso é fácil.

O longa conta a história a partir do momento em que o dramaturgo iria desistir de tudo, mas recebe ajuda de Monsieur Jourdain (Fabrice Luchini), um comerciante bem de vida que quer auxílio do escritor para aprender uma cena e, então, representá-la para cortejar uma moça, Célimène (Ludivine Sagnier). Como é casado com Elmire (Laura Morante), ele leva o dramaturgo para casa dizendo que trata-se de um padre. Daí pra frente, a confusão está armada e o espectador poderá conferir interpretações singulares de Romain Duris, que nunca pisou um palco na vida.

Ambientado no século 17, o longa tem direção de arte que merece destaque e mostra um pouco o Palácio de Versalhes, na França, mas sem identificá-lo, e como viviam os nobres naquela época. A história contada com o típico humor francês ficou conhecida como “Le Tartuffe”.

“As Aventuras de Molière” apresenta uma breve história deste nome do teatro francês, apresentando-o de maneira simples, com toques de humor, mas sem perder a chance de mostrar um escritor ágil (ele escreveu “Le Tartuffe” em duas semanas) e com amor, já que tem um romance com uma das personagens da trama.

O dicionário Michaelis da Língua Portuguesa afirma que tartufo significa: 1) indivíduo hipócrita; 2) falso devoto; 3) enganador, impostor. Há quem diga, porém, que o termo surgiu em português e em outros idiomas por conta do conto de Molière. São as influências da cultura no idioma mundial.


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