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Paris, Te Amo

06 jul 2007

written by Memória Cinematográfica

Já fizeram isso com Nova York, quando, em 1989, os diretores Woody Allen, Francis Ford Coppola e Martin Scorsese se reuniram para contar três histórias distintas, de cerca de 30 minutos cada uma, com a cidade como pano de fundo. Desta vez, a homenageada é Paris.

O longa-metragem “Paris, Te Amo” (“Paris, Je T’aime”) reúne 21 diretores que vão contar 18 histórias com cerca de cinco minutos cada com a cidade como personagem. Nada mais apropriado, já que Paris é considerada uma das cidades mais românticas do mundo.

Pois bem, para encarar a façanha, foram convidados os brasileiros Walter Salles e Daniela Thomaz, os Irmãos Coen, Gus Van Sant, Isabelle Coixet, Alfonso Cuaron, entre outros para contar as suas histórias.

Um dos destaques é o curta-metragem “Montmartre”, de Bruno Podalydès, que conta a história de um motorista enfezado que não consegue estacionar o seu carro no tradicional bairro da cidade. Enquanto isso, ele conhece uma moça, que está caída no chão.

Outro curta delicado é o “Quais de Seine”, de Gurinder Chadha, que apresenta os jovens rapazes à beira do rio Sena paquerando as moças que passam, como a muçulmana por quem se sente atraído.

Os irmãos Joel e Ethan Coen ficaram responsáveis por “Tuileries”, o filme que conta sobre o turista no metrô que não entende nada de francês e se envolve em uma briga com o casal de namorados por puro ciúme.

Na seqüência, é a vez de os brasileiros Walter Salles e Daniela Thomas contarem a história “Loin du 16e”, sobre uma babá que deixa a sua filha em casa e sai da periferia para cuidar de uma outra criança em um lugar chique da cidade.

Christopher Doyle, autor de “Porte de Choisy”, faz uma homenagem a uma célebre personagem francesa: Amelie Poulain, personagem de Audrey Tautou no filme “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”, de Jean-Pierre Jeunet. Um dos mais dramáticos é o “Bastille”, de Isabel Coixet, sobre o marido que vai contar à esposa que quer o divórcio porque já tem uma amante, mas descobre que ela tem uma doença grave.

O casal de mímicos em “Torre Eiffel”, de Sylvain Chomet, é para morrer de rir, e “Parc Monceau”, de Alfonso Cuaron, com Nick Nolte no elenco, para admirar um trabalho de direção impecável, com o filme feito em poucas tomadas.

Maggie Gyllenhaal estrela o curta “Quartier des Enfants Rouges”, de Olivier Assayas, e Elijah Wood é mordido por uma vampira no “Quartier de la Madeleine”, de Vincenzo Natali. Outro destaque fica para o “Faubourg Saint-Denis”, quando a aspirante a atriz, vivida por Natalie Portman se apaixona por um rapaz cego (Melchior Beslon).

Gérard Depardieu dirige o seu filme mas também faz questão de aparecer nele: “Quartier Latin”. O curta fala sobre um casal que resolve acertar o divórcio em um encontro no restaurante, mas os dois começam a se alfinetar sem parar, dando aos espectadores lições de vida, humor negro e muita gargalhada.

“Paris, Te Amo” é uma verdadeira declaração de amor feita por cineastas franceses e estrangeiros, que apontam as suas lentes para mostrar o romantismo da cidade, mesmo que ela seja mostrada dentro de uma gráfica, de um cemitério ou de um apartamento.

A parte lamentável é que pode ser um curta, não dá tempo de se envolver com o personagem, porque quando se percebe, já se está contando uma outra história na tela. Mas no geral trata-se de um bom filme, no mínimo uma bonita homenagem à Cidade Luz, que mostra não apenas os seus cartões-postais, mas também os locais onde as pessoas vivem, que pode ser tão comum, como a cidade de São Paulo.


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