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300

30 mar 2007

written by Tatiana Babadobulos

Tudo é gigante em “300”, longa-metragem baseado na graphic novel “Os 300 de Esparta”, escrita por Frank Miller, o mesmo autor de “Sin City – A Cidade do Pecado”. Desde a produção, que teve 95% das cenas com inclusão digital, até a quantidade de personagens, incluindo o tamanho de Xerxes, personagem vivido pelo brasileiro Rodrigo Santoro, tudo é grande.

Outra grandiosidade se refere à bilheteria norte-americana. No final de semana de estréia, o longa rendeu US$ 70 milhões em ingressos. Na segunda, foram mais US$ 31,2 milhões. Já praticamente dobrando o investimento do filme.

Dirigido por Zack Snyder (“Madrugada dos Mortos”), o longa tem unicamente a intenção de reproduzir as histórias em quadrinhos e não a história da civilização. E isso vale principalmente como resposta às críticas recebidas pelo Irã, país que hoje está localizado onde era a antiga Pérsia. A obra fala da Batalha das Termópilas, no ano de 480 a.C., na qual o rei Leônidas (Gerard Butler) e 300 espartanos lutaram contra Xerxes (Santoro) e seu imenso exército persa.

Ao ler os quadrinhos, é nítida a semelhança e Snyder conseguiu realmente dar vida aos personagens desenhados por Miller, que assina como produtor executivo do filme. A fita apresenta narrações em off, feitas por Dilios (David Wenham), durante todo o tempo para contar a história de Leônidas quando criança (assim como existe também no livro).

A virilidade do homem espartano é demonstrada com nitidez por Butler, um ator escocês que representa com muita naturalidade o personagem. Ele mostrou-se muito envolvido com o papel, mesmo que, em entrevista à Folha de Alphaville no Rio de Janeiro, ele tenha contado que nunca foi fã de comics books. “Eu tinha lido ‘Sin City’, mas não ‘300’ ou suas outras coisas. E para ser honesto, antes de ‘Sin City’ e ‘Batman Begins’ eu não tinha visto um comic book que eu particularmente tenha amado”, disse.

Em trechos do filme fica clara a preocupação com a luta, com a glória, principalmente quando diz que “espartanos têm uma reputação a zelar”.

Já a atriz Lena Headey (“Os Irmãos Grimm”), que faz a rainha Gorgo, mulher de Leônidas, não é muito citada no livro, mas no filme ela ganha extrema importância, principalmente quando incentiva o marido a lutar pela honra.

“Em Esparta não há lugar para ternura, fraqueza. Só para duros e fortes”, diz um trecho da narração. Os espartanos são contra a sua presença, mas ela é incisiva quando diz que “a mulher tem voz entre os homens porque é ela quem dá a luz a um espartano de verdade”. E ela o incentiva, mesmo que esta decisão seja contra a vontade do oráculo e também dos Éforos, que são a lei.

Santoro, que tem recebido cada vez mais papéis de destaque em Hollywood, só aparece do meio para o final, com figurino caricato, mas em cima de uma espécie de “carro alegórico”. Seu personagem é todo maquiado, cheio de penduricalhos, piercings, unhas longas e douradas, sem um pêlo no corpo, como se fosse um deus persa (ou pelo menos esta era a intenção).

A voz, que está mais grave do que o natural, foi manipulada digitalmente para ecoar “feito um trovão”. “O teste de maquiagem levou sete horas e por dia eu tinha cinco horas de maquiagem”, explica o ator.

As cenas de batalha são bem-feitas, não chegam a dar angústia pela violência, mesmo que haja sangue (impossível não ter). O sangue, aliás, escorre em câmera lenta, é artístico, não agride o espectador, nem o faz fechar os olhos. O mesmo acontece quando as pessoas são mortas durante a guerra. Nada comparável com “Apocalypto”, filme de Mel Gibson que extrapola os limites do bom senso quando o assunto é sangue (o mesmo acontece com o filme do mesmo diretor “A Paixão de Cristo”).

Comparado com “Sin City – A Cidade do Pecado”, longa que ganha continuação ainda neste ano, “300” é infinitamente melhor, principalmente em criação e conteúdo, de modo que não é confuso, misturando várias histórias, nem é um comic book animado.

“300” é um épico, mas não é chato como “Tróia” ou “Alexandre”. Trata-se de um filme com roteiro equilibrado, fiel ao livro e com muitos efeitos especiais, que abusa da tecnologia (já que quase todo ele se utilizou de blue screen). A fita mostra a luta de um povo por sua reputação, glória e paixão pelo mundo onde vive. Mesmo com tudo isso, é preciso lembrar sempre que a história é baseada no livro e não na vida real.

Há quem faça comparações do enredo com a trajetória de George W. Bush, mas Miller escreveu antes de 11 de setembro, antes da guerra contra o Iraque. As cenas finais (calma, não vou contar!), aliás, chegam a arrepiar e dão um verdadeiro gosto de quero mais um episódio!


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