Memória Cinematográfica

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A Feiticeira

tatianna 28 setembro 2005

Ao contrário do que muita gente pode esperar, “A Feiticeira” (“Bewitched”) não é uma refilmagem do seriado que costumava passar na televisão na década de 60. Na verdade, o longa-metragem que estréia nesta sexta, dia 30 de setembro, é uma homenagem aos famosos personagens, como Elizabeth Montgomery, que viveu Samantha na versão original, que com seus truques feitos ao mexer o nariz encantaram diversas gerações.

A sempre bela Nicole Kidman vive Isabel, uma bruxa que quer largar o seu mundo e viver definitivamente como qualquer outra mortal, como amar, tomar chuva, trabalhar, ter amigos. Então, ela aluga uma casa nos arredores de Hollywood e, numa livraria da cidade, é descoberta por Jack Wyatt (Will Ferrell), um ator em ascensão que foi escalado para viver o “normal” Darrin, e precisa de uma mulher anônima (para não ofuscar o seu brilho) para viver Samantha. O que ele não contava é que Isabel, tal como a personagem, é uma bruxa de verdade.

Seu pai, vivido por Michael Caine, é um conquistador barato que tenta sair com todas as mulheres do bairro, inclusive com a atriz Iris (Shirley MacLaine), que no seriado faz o papel de Endora, mãe de Samantha. Mas, escondida, Iris faz feitiços e faz o pai de Isabel cair de amores por ela.

Logo no começo do filme o espectador é situado no local onde as cenas se passam em takes aéreos de Hollywood. A idéia foi boa, parece que a bruxa está voando de vassoura e escolhe um local para aterrissar, mas essa decisão pode deixar o espectador um tanto enjoado com aquelas cenas rápidas e cheias de voltas.

Em momentos de felicidade, a diretora Nora Ephron (“Sintonia de Amor”), que também colaborou com o roteiro e na produção, recorre à edição em forma de clipe, ao som da trilha sonora do seriado famoso.

É no começo também que Nicole já aparece mostrando tudo o que fará no filme, sobre a sua personalidade e anseios. Seu jeito meigo de falar combinou com o que ela queria mostrar sobre uma bruxa que acabara de chegar ao mundo dos mortais e nada sabe sobre o que é a vida deles.

O filme é fraco e não surpreende. Talvez até um pouco decepcionante para quem espera reviver a época dos bons seriados de TV. Mas esta não foi a proposta dos produtores Douglas Wick, Lucy Fisher, Penny Marshall e Nora Ephron, que preferiram (ao que parece) seguir por um caminho diferente e assim agradar ou não ao público.

Mesmo assim, as bruxarias de Isabel rendem boas gargalhadas, principalmente na cena que envolve o cachorro, durante a gravação do seriado. Michael Caine, mais uma vez, desequilibra a trama e toma para si um dos pontos altos da trama, principalmente quando contracena com MacLaine.

Com uma hora e meia de duração, “A Feiticeira” não é um excelente filme, mas pode ser assistido por quem quer conhecer a história de Samantha ou para quem quer reviver, mesmo que seja de leve, os bons tempos de televisão.

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