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Francisco Brennand

14 mar 2013

written by Memória Cinematográfica

O artista plástico pernambucano Francisco Brennand vive em uma antiga propriedade de sua família, no meio da mata do bairro da Várzea do Capibaribe, em Recife. Vivia fechado, com luz artificial, mas em 1987 abriu a janela e, como ele mesmo disse, “a janela me colocou em contato com mundo”. Agora, é o mundo que pode ter contato com a obra de Brennand, a partir do documentário “Francisco Brennand”, de autoria de sua sobrinha-neta, a cineasta Mariana Brennand Fortes. O longa-metragem estreia nesta sexta-feira, 15, depois de ter sido escolhido pelo júri da Abraccine (Associação Brasileira dos Críticos de Cinema) como Melhor Filme, na categoria Novos Diretores, durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2012.

Depois de se formar cineasta, Mariana decidiu, em 2002, fazer o documentário, com o objetivo de entender a obra de seu tio-avô e todo o seu parque de esculturas no qual vive. Porém, além das esculturas que podem ser facilmente observadas na Oficina Brennand construída nas ruínas de uma velha fábrica de cerâmica, a diretora descobriu mais de mil pinturas e desenhos executados em diversas técnicas. E não foi só. Mariana também mergulhou nos diários que ele escreve desde os 25 anos –o artista completa 85 este ano.

O longa apresenta a obra e conversa com Francisco Brennand, além de narrações em off com voz da atriz pernambucana Hermila Guedes, cujo texto foi baseado nos próprios diários do artista. Há cenas engraçadas, como quando Brennand espia a mulher bonita que ele mesmo pintou e conta que se inspirou em uma conhecida. O bom humor está presente no documentário, mas não é o forte da trama.

As esculturas não têm preocupação realística, ao contrário dos quadros. E, durante as conversas, Brennand aproveita para citar grandes artistas europeus, como Rodin, Matisse e Picasso, além de uma homenagem a Gaugin.

“Francisco Brennand” conta, poeticamente, a história do artista plástico que vive fechado em sua propriedade no nordeste do país para criar esculturas e pintar quadros. Como o texto foi criado a partir dos diários do artista, existe uma explicação para a cansativa narração em off. Mas há também depoimentos bem-humorados do próprio artista, o que dá fôlego às sequências.

Outro ponto positivo do filme de Mariana Brennand Fortes é a fotografia de Walter Carvalho, que utilizou a câmera na mão, sem luz artificial, para poder percorrer todo o parque das esculturas e também para que Francisco pudesse interagir de maneira intimista.

Na Mostra de Cinema, os jurados da Abraccine tinham 14 obras para escolher de cineastas que já tinham feito até no máximo dois filmes. Mariana já havia filmado, em 2010, o documentário “O Coco, a Roda, o Pneu e o Farol”, selecionado para o Festival de Biarritz.


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