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36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

19 out 2012

written by Memória Cinematográfica

"No", de Pablo Larraín, foi apresentado na abertura da Mostra

Cinéfilos têm encontro marcado e compromisso inadiável durante as próximas duas semanas. Nesta sexta-feira, 19, começa a 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Evento apresentará, até o dia 2 de novembro, mais de 350 filmes vindos de mais de 60 países em 28 locais da cidade e também de Cotia, já que o Cinespaço, na Granja Viana, faz parte da Mostra.

Pela primeira vez responsável por toda a curadoria da Mostra, Renata de Almeida admite que precisava de algo impactante nesta edição. Até o ano passado, ela codirigia a Mostra ao lado de seu companheiro, Leon Cakoff, criador do evento, morto no ano passado.

Dentro da Retrospectiva serão exibidos longas-metragens do cineasta russo Andrei Tarkóvski. “Lembrei dos 80 anos dele [Tarkóvski] e achei que poderia ser um caminho. Deu muito trabalho, porque o filho dele não queria deixar [a mostra de polaroide] sair, mas quando consegui, pra mim, aquilo era a certeza que já tinha meia Mostra feita”, conta Renata, durante entrevista coletiva.

Renata refere-se à exposição que acontece no Masp, “Luz Instantânea: Polaroides de Andrei Tarkóvski”. Ao todo, são 80 imagens originais que refletem sua vida e obra entre 1979 e 1984.

Para Carlos Augusto Calil, secretário de Cultura de São Paulo, a “homenagem a Tarkóvski não é por acaso”. “É o cineasta mais metafísico que existe”, diz, lembrando de Cakoff.

"Nosferatu" terá apresentação ao ar livre

Renata explica também que o evento terá apresentação do filme alemão “Nosferatu”, de F.W. Murnau, produzido em 1922, e um dos mais influentes da história do cinema. A apresentação será ao ar livre, no parque Ibirapuera, dia 2 de novembro. Como é um filme silencioso (o filme sonoro só começou em 1927, com “O Cantor de Jazz”), a película será acompanhada por 80 músicos da Orquestra Petrobras Sinfônica e Coral, com regência do maestro alemão Pierre Oser, autor da partitura do filme.

Ainda segundo ela, este excesso para a Mostra, já que só a apresentação de “Nosferatu” ou das polaroides de Tarkóvski seriam suficientes para justificar o evento, “pode ter sido sinal de insegurança”. O importante é que, em excesso ou não, a Mostra organizada por ela mantém o mesmo fôlego dos anos anteriores e com a mesma certeza: só serão apresentados filmes estrangeiros inéditos no Brasil.

Cakoff ficaria orgulhoso e batiza o Prêmio que vai homenagear o cineasta iraniano Abbas Kiarostami e a atriz Claudia Cardinale.

Além da Retrospectiva, há ainda Competição Novos Diretores, Perspectiva Internacional, Retrospectivas, Apresentações Especiais e Mostra Brasil.

Pela primeira vez, a Abraccine  (Associação Brasileira dos Críticos de Cinema) dará um prêmio para o melhor longa-metragem brasileiro da Competição Novos Diretores, que conta com 14 títulos concorrentes. A entidade, que tem pouco mais de um ano, já participa de diversos outros festivais no Brasil nos quais é responsável pelo “Prêmio da Crítica”.

Luiz Zanin Oricchio, presidente da Abraccine, diz que “é muito bom termos um júri na Mostra de São Paulo, já que é um dos eventos cinematográficos mais importantes do país”. “Note que falo em evento cinematográfico, para distingui-la dos festivais, que são outra coisa, mais limitados e com menos títulos. O principal da Mostra é o seu caráter amplo e informativo. Dentro dela, há as competições. A nossa se dará no espaço limitado de Novos Diretores. É um recorte, dentro da imensa programação proposta pela Mostra. Acho legal acrescentarmos o nosso prêmio aos outros que serão atribuídos por outros júris. Será o ponto de vista da Abraccine dentro da Mostra de São Paulo. Uma parceria que, acho, veio para ficar.”

"Francisco Brennan" é um dos 14 filmes que disputam na categoria Novos Diretores

Digital
Renata de Almeida lembra que apenas 30% dos filmes serão exibidos em 35 mm. “Isso porque tem retrospectiva”, enfatiza. “Quem falou que a exibição digital ia facilitar a vida, mentiu. É verdade que é mais leve, mas eu preferiria carregar latas de filme da alfândega”, compara, mesmo que em tom de brincadeira, sobre os problemas que as exibiçõs digitais causam eventualmente.

O que ver
Com tantos filmes para escolher e assistir, afinal de contas não dá para ver todos, não é fácil selecionar os mais interessantes. Como sempre, a dica é ver aqueles que aparecem com “legendas eletrônicas”, pois dificilmente vão estrear no circuito.

Renata não destaca nenhum e prefere deixar o cinéfilo livre. “Há destaques óbvios e, quando a gente escolhe, sempre se esquece de alguém. A lista tem grandes nomes. Eu diria que há 360 destaques”, aponta.

"Um Alguém Apaixonado" é um dos filmes imperdíveis

Entre os imperdíveis, o dinamarquês “A Caça”, de Thomas Vinterberg, o chileno “No”, de Pablo Larraín, e o iraniano “Um Alguém Apaixonado”, de Abbas Kiarostami.

O cineasta português Manuel de Oliveira apresenta o seu “Um Filme Falado”. Há ainda “A Bela Que Dorme”, de Marco Bellocchio, “A Parte dos Anjos”, de Ken Loach. Premiado no Festival de Cannes, estará na Mostra “Reality”,  de Matteo Garrone.

Os filmes podem ser vistos no circuito da avenida Paulista (Espaço Itaú  do shopping Frei Caneca e da rua Augusta, Cine Livraria Cultura, Cinesesc, Reserva Cultural, vão livre do Masp, Itaú Cultural), Espaço Itaú do Bourbon Pompeia, Faap, Cine Olido, Cinemateca, Matilha Cultural, Cine Sabesp, MIS, Cinusp, CEU Perus e Parque Anhanguera, Cinemark (Eldorado, Cidade Jardim, Santa Cruz) e Cine Espaço The Square (Granja Viana).

Os ingressos custam R$ 15 (segunda a quinta), R$ 19 (sexta a domingo). A permanente integral sai por R$ 410 e a especial, que permite ver filmes de segunda a sexta, até às 17h55, custa R$ 95. O pacote com 40 ingressos sai por R$ 300.

Informações sobre locais, horários e sessões podem ser encontradas no site da Mostra.


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