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Ted

21 set 2012

written by Memória Cinematográfica

Que crianças têm amigos imaginários, todo mundo sabe. E aceita. O assunto, aliás, pode ser melhor discutido por psicólogos, que talvez abordem temas como solidão, insegurança e por aí afora. A partir da adolescência, porém, esse tipo de coisa já passa a se tornar algo um tanto bizarro. Se o tal amigo imaginário, que é um urso de pelúcia, ganhar vida, então, aí que a situação fica totalmente sem pé nem cabeça.

Em tiras de quadrinhos, os personagens Calvin e Haroldo, respectivamente uma criança de seis anos e um tigre de pelúcia, fazem sucesso, ainda que o autor, o norte-americano Bill Watterson, não desenhe um quadrinho desde 31 de dezembro de 1995. A perspicácia do garoto, juntamente com o seu amigo imaginário, mexe com a imaginação dos leitores que os acompanham desde 1985.

No ano passado, Mel Gibson estrelou filme dirigido por Jodie Foster, “Um Novo Despertar“, no qual assume nova identidade e passa a se comunicar apenas através do boneco que encontrou no lixo.

O longa-metragem “Ted”, que chega aos cinemas nesta sexta-feira, 21, trata sobre um urso de pelúcia que ganha vida. A comédia se passa a partir de 1985, quando o garoto John Bennett (Mark Wahlberg), de apenas oito anos, que não tinha amigos no bairro onde morava, ganha de presente de Natal um urso de pelúcia. De cara, ele promete ao bicho que será seu amigo para sempre. No dia seguinte, como se o seu desejo virasse realidade, o urso ganha vida. Fala, anda e pensa.

Então, o brinquedo vira celebridade, mas promete nunca abandonar o amigo. Mesmo que o tempo passe, e o garoto John cresça, os dois continuam amigos. John arruma uma namorada, Lori Collins (a bela Mila Kunis, de “Cisne Negro“), e passam os três a morar juntos.

Aos 35 anos (em 2012, portanto), John continua dividindo as suas alegrias e tristezas com o ursinho, continua com um emprego mais ou menos, enquanto a sua namorada espera o pedido de casamento e tem uma carreira bem sucedida.

Apesar do tema tolo, a comédia de live action com animação por computação gráfica funciona e o tema não é nada infantil – a censura é de 16 anos.

Os dois, urso e rapaz, passam horas se drogando, saindo com mulheres, falando palavrão e fazendo referências à cultura pop, principalmente a dos anos 1980 e 1990, ora positiva, ora negativamente – há referências grotescas a gays e judeus, por exemplo. E é justamente nessas passagens que o humor fala mais alto e arranca gargalhadas da plateia.

Destaque para a participação da cantora Norah Jones e do ator que viveu o personagem Flash Gordon na televisão, Sam Jones. Há ainda referências à “Star Wars”, entre outros.

Criador da série “Family Guy”, o diretor Seth MacFarlane, em sua estreia no cinema, é também responsável pela produção do filme, e assina como coroteirista da fita, além de fazer a voz do urso.

“Ted” é um filme divertido e chega a surpreender o espectador, que vai ao cinema esperando que trata-se de uma película tola. O bom humor da fita supera as típicas comédias de Hollywood que entraram recentemente em cartaz.

Em tempo: Depois de levar o filho de 11 anos para assistir ao filme cuja censura é 16 anos, o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) disse que pretendia recorrer ao Ministério da Justiça para alterar a classificação para 18 anos. O ministro Eduardo Cardoso, porém, afirmou que não vai censurar o filme. “Mesmo se a legislação permitisse a censura, seríamos contrários a isso”, disse Cardoso.


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