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Cosmópolis

05 set 2012

written by Memória Cinematográfica

Na conturbada Nova York, o multimilionário de 28 anos, Eric Packer (Robert Pattinson), resolve cortar o cabelo do outro lado da cidade em seu barbeiro favorito. O problema é que a cidade, que já é formada por um trânsito perturbador, está ainda pior, devido à visita do presidente da república.

Grosso modo, é assim que começa o longa-metragem “Cosmópolis”, nova produção de David Cronenberg (“Um Método Perigoso”). O roteiro, escrito também por Cronenberg, é baseado no livro homônimo de Don DeLillo.

Packer vive dentro de sua limousine high-tech branca fazendo contas de quanto o yuan (moeda chinesa) sobe e desce. Durante o filme, o espectador vai acompanhar o dia do milionário, que espera as coisas acontecerem dentro de seu carro luxuoso. Ele só sai dali para encontrar a esposa (Sarah Gadon), que passa no táxi ao lado, mas também a encontra para almoçar. “Aprendo sobre geografia, quando ando de táxi”, diz ela por não ter aceitado a carona do marido.

Ele assiste, de dentro da sua limousine, ao caos instalado na cidade e seu império entrando em colapso. E prepara-se, ao mesmo tempo, para ser assassinado, mas não sabe como, onde, nem por quem.

Dentro do carro ainda recebe moças com quem manterá relações sexuais, mas também o médico que faz o check-up de seu corpo, incluindo exame de próstata, quando descobre que a sua é assimétrica. (Assimétrico, como confirma o realizador canadense, é o seu próprio cinema.)

Além da obsessão de cortar o cabelo, Packer é obsecado por transar com a mulher, que não vê clima para se deitar com ele e, a cada minuto, se distancia mais. Enquanto isso, ele resolve a sua “carência” com a segurança que trabalha para ele e com a mulher de negócios que aparece dentro do carro, claro, a personagem vivida por Juliette Binoche.

Ela, aliás, dá um show de interpretação, já que atua somente dentro do carro e quase não tem espaço para se expandir.

O mesmo êxito pode ser dado ao diretor, que consegue filmar a maior parte da fita dentro do carro, que, aliás, não está na realidade em Nova York, mas dentro de um estúdio no Canadá.

A trama trata também de rato, a metáfora usada para o dinheiro. O capitalismo em alta é discutido nas entrelinhas. E a fase de se ganhar muito dinheiro, a obsessão pela bolsa e pelo sobe e desce da moeda chinesa, embora o livro, segundo consta, discuta o sobe e desce do iene, a moeda japonesa.

Robert Pattinson ficou conhecido por sua atuação como um vampiro, em filmes cuja série começou com “Crepúsculo” e ainda terá mais uma sequência para estrear este ano nos cinemas. De qualquer maneira, ele não consegue desempenhar tão bem o seu papel, ainda que tenha a total ajuda de um dos melhores diretores da atualidade.

Embora o personagem de Pattinson tenha um quê de vampiresco, se o usarmos de maneira metafórica, já que o tema gira em torno do mercado econômico, o diretor afirmou que não escolheu o ator por sua atuação como o vampiro na série juvenil.

Em entrevista ao repórter dos “Cahiers du Cinéma”, publicação francesa especializada em cinema, na edição de junho, dedicada ao Festival de Cannes, Cronenberg o escolheu “porque era o ator perfeito para este papel”. O realizador afirmou também que assistiu aos outros filmes do ator, bem como suas entrevistas na internet, a fim de ter uma ideia de sua personalidade.

“Cosmópolis” é um filme bem dirigido, mas com um ator, que ocupa todas as cenas, não tão bom assim. E o assunto também demora a engatar, de modo que o espectador passa boa parte dos 109 minutos de projeção se perguntando o que está se passando na tela. Um filme difícil, e não é à  toa que está em cartaz em apaenas um curto circuito dos cinemas paulistanos. Diferentemente da franquia juvenil, “Cosmópolis” não deve atrair apenas fãs do ator.


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