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Para Roma com Amor

28 jun 2012

written by Tatiana Babadobulos

Nesta sexta-feira, 29, chega aos cinemas mais uma produção de Woody Allen realizada na Europa, mais precisamente na Itália. “Para Roma com Amor” (“To Rome With Love”) confirma a vocação do diretor e roteirista de fazer comédia misturando origens e procedências de seus personagens.

A trama tem a capital italiana como pano de fundo, mas também como personagem. Diferentemente de longas realizados em Londres, Paris e Barcelona, aqui ele explora os clichês turísticos da cidade. Apresenta pontos turísticos óbvios, enfatiza marcas italianas, como mala Fendi, avião Alitália, café Illy na tradicional cafeteira italiana.

Para começar, uma turista norte-americana, Hayley (Alison Pill, de “Meia Noite em Paris”), está perdida e pergunta, com um mapa na mão, onde fica a Fontana di Trevi. Pouco depois, ela e o nativo, Michelangelo (Flavio Parenti), resolvem se casar. Os pais da moça, o diretor de ópera aposentado, Jerry (Woody Allen), e sua esposa, Phyllis (Judy Davis, de “Maria Antonieta”), voam para Roma a fim de conhecer o noivo italiano da filha.

“Para Roma com Amor” ainda traz outras histórias paralelas, como a do famoso arquiteto americano, John (Alec Baldwin, de “Simplesmente Complicado”), que relembra o tempo de sua juventude, quando morou na cidade durante as férias. No meio de um passeio solitário, ele é reconhecido por Jack (Jesse Eisenberg, de “A Rede Social”), um estudante de arquitetura. Na ocasião, ele é apresentado à sua namorada, Sally (Greta Gerwig, de “Sexo sem Compromisso”), e vê como a visita da amiga dela, Monica (Ellen Page, de “A Origem”), pode atrapalhar tudo.

Outra história é sobre Antonio (Alessandro Tiberi), que chega do interior da Itália e, quando se instala em um hotel em Roma, na esperança de impressionar seus parentes quando vai apresentar a esposa, acaba sendo surpreendido. Isso porque a esposa, Milly (Alessandra Mastronardi), vai ao cabeleireiro, mas se perde. No meio tempo, uma garota de programa (Penélope Cruz, de “Vicky Cristina Barcelona”) bate a sua porta (por engano) e diz que já está pago o dia. Claro, em se tratando de comédia, que a família aparece bem durante o problema. Enquanto isso, a esposa, perdida, encontra o astro do cinema Luca Salta (Antonio Albanese).

Para finalizar, a história de outro italiano. Desta vez Leopoldo Pisanello (Roberto Benigni, de “A Vida é Bela”), um cara sem graça e que acorda, em uma bela manhã, se achando o mais famoso homem da Itália, já que precisa responder a um monte de questões e ainda é perseguido pelos paparazzi e vê o quanto custa ter fama. Aqui, o diálogo é sobre a bobagem da vida das celebridades, que enaltece a pessoa comum, debocha das entrevistas e faz perguntas sobre o café da manhã.

Desde “Scoop – O Grande Furo”, Woody Allen não atuava em um filme seu. Aqui, faz o tipo trapalhão, com frases feitas e de efeito, como todos os outros personagens que faz, tem medo do avião e faz questão de conhecer o seu futuro genro. Por outro lado, se torna chato de tão insistente ao tentar convencer o sogro da filha a cantar ópera (mesmo que seja debaixo do chuveiro).

Em homenagem à Itália, Allen faz a abertura de seu filme com a canção “Volare”, além de repeti-la no final. A apresentação dos personagens é feita em off pelo guarda de trânsito, que avisa: “Não falo muito bem inglês”. Ao contrário do filme “A Primeira Coisa Bela”, Roma de Woody Allen é movimentada, com carros e lambretas por todos os lados. Tal como na vida real.

O diretor vai na contramão quando faz seus atores falarem o idioma nativo. Isso porque muitos diretores preferem que, mesmo na França, por exemplo, os franceses falem inglês com sotaque francês. Woody Allen faz questão que seus personagens estrangeiros falem a sua própria língua. No entanto, é comum observar que, mesmo filmando em outros países, ele leva boa parte do elenco de sua terra Natal.

Tal como em “A Rede Social”, filme que lhe rendeu indicação ao Oscar, Jesse Eisenberg atua de maneira ansiosa, agitada. Aqui ele também parece bastante inquieto, como se esta característica fosse do ator, não de seu personagem. Isso pode ser observado também no próprio Woody Allen. Ele é ele mesmo em todas as suas produções. Não se dá nem ao trabalho nem de mudar o figurino.

Sobre o trecho que conta a história do casal que chega do interior, remete ao primeiro longa-metragem de Federico Fellini, “Abismo de um Sonho”, filmado em 1952. Na trama, os recém-casados viajam a Roma. Enquanto o rapaz vai conhecer a cidade com alguns parentes, a esposa vai atrás do ator por quem é apaixonada, estrela das fumetti, as fotos novelas muito populares na Itália. Qualquer semelhança, aliás, não terá sido mera coincidência.

Europa
Conhecido por sempre filmar em Nova York (por morar na cidade, prefere não viajar para trabalhar, além de todos benefícios da cidade norte-americana), Woody Allen mudou seu cenário para a Europa, em 2005, quando filmou “Ponto Final – Match Point”, na Inglaterra. No ano seguinte, continuou naquele país para fazer “Scoop – O Grande Furo” e, na sequência, “O Sonho de Cassandra”. Vendo que seus filmes estavam recebendo incentivos para serem rodados no Velho Continente, Allen escolheu a Espanha para filmar “Vicky Cristina Barcelona”.

Em 2009, porém, resolveu voltar para casa e fazer “Tudo Pode Dar Certo”, em Nova Yok. No ano seguinte conheceu o fracasso com “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos”. A reviravolta veio em 2011, com “Meia Noite em Paris”, filme que o levou de volta para a Europa. A França lhe deu tanto sucesso, que rendeu indicações em Hollywood para o Oscar. E ganhou, mas como Melhor Roteiro Original. Allen, para confirmar sua fama de ser avesso à badalação, não compareceu à festa.


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