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Histórias Cruzadas

02 fev 2012

written by Memória Cinematográfica

No interior dos Estados Unidos dos anos 1960, uma garota da alta sociedade, ao se formar na faculdade, resolve fazer uma denúncia sobre o preconceito entre as patroas (brancas) e as empregadas (negras). Grosso modo, esse é o resumo de “Histórias Cruzadas” (“The Help”), longa-metragem que estreia nesta sexta, 3.

Skeeter (Emma Stone, de “Amizade Colorida”) é a tal garota, aspirante a escritora, que negocia com uma editora a publicação do livro com depoimentos das empregadas, cujo gancho é: se elas são capazes de criar os seus filhos, por que não podem usar os seus banheiros? A elas são reservados os do lado de fora da casa onde vivem e o papel higiênico é controlado, é claro.

No início, Skeeter começa a trabalhar como secretária de uma redação e precisa responder as dúvidas das leitoras acerca dos afazeres domésticos. Para isso, conta com a ajuda de Aibileen (Viola Davis), empregada da sua melhor amiga. Então, as outras governantas, como Minny (Octavia Spencer), começam a se abrir e a história vai ganhando corpo, depoimentos reais e alívio pelo desabafo dos maus tratos.

O longa, escrito e dirigido por Tate Taylor (que até então era mais conhecido como ator em “Inverno da Alma”, por exemplo), é baseado no best-seller homônimo de Kathryn Stockett.

No início, as apresentações vão sendo feitas e o espectador vai se colocando no lugar das personagens. Naquela sociedade, na qual as mulheres são “feitas para casar” e mandar na criadagem, Skeeter está fora do contexto, já que nunca arrumou um namorado, mesmo aos 23 anos. E a sua mãe (Allison Janney) fica inventando o que fazer para ela finalmente se casar. Mas ela não quer, está bem sozinha. Embora o foco seja no preconceito e o lado fraco é das governantas negras, o longa dá conta de mostrar também como vivem as fúteis “madames”. O banheiro é a alegoria, claro, já que às negras não são permitidas muitas outras coisas.

O tema não é inédito, é verdade, já que o preconceito já foi muito discutido no cinema. Só Clint Eastwood fez dois recentemente: “Gran Torino” e “Invictus”. Mas “Histórias Cruzadas” é cheio de emoção sem excesso, como “Um Sonho Distante”. E, ainda que a situação seja ambientada nos anos 1960, muitas das situações que vemos ali poderiam ter acontecido na semana passada.

As interpretações das atrizes, são realmente boas, convencem bem o espectador. Não é  à toa que, entre as quatro indicaçõs ao Oscar, três são para elas: Melhor Atriz (Viola Davis) e Atriz Coadjuvante (Jessica Chastain e Octavia Spencer). Destaque principalmente para Octavia, que já ganhou o Globo de Ouro. Viola também está ótima no papel, mas, no Oscar, terá de disputar com Meryl Streep, em “Dama de Ferro”, que também ganhou o Globo de Ouro. No SAG (Screen Actors Guild), prêmio dos sin­di­ca­tos dos ato­res de Hollywood entregue na semana passada, Viola venceu e desbancou a favorita. A quarta indicação é Melhor Filme.


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