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A Árvore da Vida

18 ago 2011

written by Memória Cinematográfica

Há filmes que não são indicados para todas as pessoas. Independentemente de o filme ser bom ou ruim, não é todo mundo que consegue absorver a mensagem que o diretor está querendo transmitir. Isso não é nenhum demérito para ninguém — tampouco um mérito para aqueles que podem tudo. É simplesmente como cada um se comporta diante de uma obra de arte. E, se imagem é fotografia e som é música; imagem, som e movimento juntos… isso é cinema!

“A Árvore da Vida” (“The Tree of Life”), longa-metragem dirigido e escrito por Terrence Malick (“Além da Linha Vermelha”), que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano, é um desses filmes. Por ser extremamente reflexivo, suas imagens são lentas, se comunicam de maneira adversa e, cá entre nós, não é todo mundo que tem paciência de ficar duas horas e meia na sala de cinema fazendo uma grande reflexão sobre a vida. Sim, é exatamente isso o que o filme de Malick nos propõe.

 

A fita conta a história de uma família comum, que vive nos Estados Unidos, mas sob o olhar de um dos filhos que, nos dias de hoje, é vivido por Sean Penn. Porém, em flashback, mostra como ele cresceu, como era a sua convivência com o pai (Brad Pitt) autoritário e a mãe (Jessica Chastain) submissa. Ele, atualmente, procura explicações para a vida e, em um mundo capitalista e cético, busca a existência da fé.

Nada que não fosse comum nos anos em que se passam a trama, e que não se sabe exatamente qual a década, mas a cor trabalhada na película, assim como o figurino, dão conta de dizer que já faz tempo (sem falar na idade do filho). O tempo, aliás, é outra personagem de Malick. Isso porque ele se preocupa em transmitir ao espectador a história do mundo, contada através de imagens belíssimas que simbolizam a grande explosão que deu origem ao universo (a teoria do Big Bang), os dinossauros (os primeiros habitantes da Terra), seguido pelos humanos até chegar ao nascimento do primogênito da família protagonista.

E é com diversas imagens bastante plásticas que Terrence Malick vai convencendo o espectador que está sentado na plateia, pacientemente, de que é importante parar, analisar e refletir sobre a origem da vida. Cenas emocionamentes cativam quem se propõe a esperar.

Neste filme não há lição de moral, apenas a história de uma família que poderia ser a minha ou a sua, caro leitor. A obra de Malick nos fornece material para chegarmos em casa e pensarmos sobre a origem do universo e não apenas se a existência de Deus é verdadeira ou não. Mas esse também pode ser um ponto de partida, por que não?


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