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Meia-Noite em Paris

17 jun 2011

written by Tatiana Babadobulos

Primeira dama Carla Bruni faz o papel de guia do Musée Rodin

Depois de homenagear ci­dades como Londres, Bar­ce­lona e, claro, sua Nova York, Woody Allen homenageia a Ci­dade Luz em seu novo filme, “Meia Noite em Paris” (“Midnight in Paris”), longa-metragem que estreia nesta sexta-feira, dia 17 de junho.

A fita chega ao Brasil em tempo recorde do lançamento internacional, uma vez que os filmes do diretor e roteirista nova-iorquino costumam chegar ao país com quase um ano de atraso, e esse foi apresentado ao público pela primeira vez durante o Festival de Cannes, realizado em maio deste ano.

O filme conta a história da vida do escritor Gil (Owen Wilson, de “Penetras Bons de Bico”) que, cansado de escrever rotei­ros fracassados para filmes hollywoodianos, vai passar alguns dias com a noiva e os pais dela na capital francesa. Sua ideia, portanto, é escrever romances, já que tem admiração por escritores de peso, como Ernest Hemingway, autor de “Paris é uma Festa”, por exemplo.

A primeira imagem é da Torre Eiffel, seguida da ponte Alexander III, considerada a mais bonita da cidade. Com uma espécie de videoclipe dos principais pontos turísticos, Allen mostra a Paris dos seus sonhos: Place de la Concorde, Mont­martre, Notre Dame, Jar­din des Tuilleries, as lojas chi­ques da avenida des Champs-Élysées e da Place Vendôme, os cafés, os restaurantes, o museu do Louvre, Le Palais Garnier, além dos belos telhados de Pa­ris. E o clipe vai mostrando a vida frenética da cidade até que chega a meia noite e, voilà, a mágica está feita.

É aí que o espectador vai des­cobrir o que acontece na Paris dos sonhos do escritor que admira Fitzgerald, Pablo Picasso, Salvador Dalí, Luis Buñuel e o Man Ray, e outras tantas personalidades dos anos 1920. É uma viagem no tempo incrí­vel, com referências de diversos segmentos da arte do início do século 20, mas também, quando Gil se encanta por Adriana (Marion Cotillard) e a viagem no tempo vai para a Belle Époque, nos anos 1890.

É na Ponte Japonesa do jardim de Claude Monet, em Giverny, na região francesa da Normandia, que o casal Gil e Ine­z (Rachel McAdams) conversa e discute sobre a possibilidade de se morar em outro lugar. A participação especial fica para a primeira-dama francesa, Carla Bruni, que faz o papel da guia no Musée Rodin, cujas esculturas do artista ficam expostas no jardim do grande casarão. Além de Paris e Giverny, há cenas filmadas no castelo de Versalhes.

Autor e diretor Woody Allen homenageia Paris

Se Paris é sinônimo de magia e encanto, em “Meia-Noite em Paris” Woody Allen brinca com a imaginação do espectador e entrega o que promete: um longa-metragem cheio de graça, humor refinado, citações de refe­rên­cias do mundo das artes, além de diálogos bem construídos.

Allen sempre foi um cineasta que entrega um filme por ano, principalmente com temas relacionados à sua cidade natal, Nova York. Porém, desde 2005 ele tem feito filmes na Europa, certamente porque tem tido dificuldades de conseguir financiamento para suas obras que possuem cinéfilos fiéis, como os ingleses “Match Point” e “Scoop”, “O Sonho de Cassandra”, o espa­nhol “Vicky Cristina Barcelona”, entre outros, para agora homenagear a capital francesa. E ele mesmo diz: “Claro que eu amo Nova York, que é a cidade onde nasci e cresci, mas se eu tivesse que escolher uma cidade para viver, que não fosse a minha, seria Paris”, diz Allen.

A primeira vez que o diretor teve capital francesa como locação foi em “Todos Dizem eu Te Amo” e se apaixonou por Paris durante as filmagens de “O que é que há, Gatinha?”, seu primeiro filme como ator e roteirista.

“Meia-Noite em Paris” traz novo fôlego às obras de Woody Allen, uma vez que seu último filme, “Você Vai Conhecer o Ho­mem dos Seus Sonhos”, não agradou a todos os seus fãs, ainda que, como se diz, um filme de Woody Allen mediano ainda é muito melhor que outros filmes que estreiam nos circuitos nacio­nal e internacional.

“Meia-Noite em Paris” é um filme encantador, com humor raro que apenas Woody Allen é capaz de escrever, exatamente para o seu público. Ah, e se ficar com vontade de ver (ou rever) Paris após sair da sessão não se preocupe, acontece!


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