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Jogo de Poder

18 mar 2011

written by Memória Cinematográfica

Foi um choque aquela manhã de 11 de setembro de 2001. Porém, nem que as pessoas queiram se esquecer do fatídico dia no qual aviões atacaram as Torres Gêmeas, em Nova York, será possível.

Primeiro por conta da importância do ato terrorista; e, segundo, porque o cinema continua retratando as consequências desse problema, mesmo 10 anos depois.

Esta, aliás, não é a primeira vez que a tela grande mostra a tragédia, haja vista que outros filmes já foram lançados sobre o assunto, como “Voo 93”, “As Torres Gêmeas”, “Guerra ao Terror” e por aí vai.

Baseado em dois livros, “Fair Game”, escrito por Valerie Plame, ex-agente da CIA (Agência Central de Inteligência Americana); e “The Politics of Truth”, de autoria do marido dela, Joseph Wilson, “Jogo de Poder” (“Fair Game”)con­ta a história do motivo pelo qual Valerie (Naomi Watts) perdeu o cargo assim que sua identidade foi revelada em um artigo de jornal envolvendo a Casa Branca.

O problema também atingiu seu marido (Sean Penn), ex-diplomata dos Estados Unidos, que teria se beneficiado de sua posição para obter informações.

Embora o governo de George W. Bush tenha divulgado que o Iraque possuía um programa de armas nucleares e destruição em massa, ela descobre que não é verdade. Enquanto isso, Wilson é enviado à África para investigar os rumores da possível venda de urânio enriquecido para aquele país e, assim, a trama vai juntando elementos para comprovar (ou desmentir) tal afirmação. Não comprovando tais negociações, ele escreve suas conclusões para um jornal. E, daí, salve-se quem puder!

Dirigido por Doug Liman (“A Identidade Bourne”), que também assina como diretor de fotografia, o roteiro foi escrito a quatro mãos por Jez e John-Henry Butterworth e conta com diálogos bem construídos, além de narrações em off quando o diplomata está narrando algum acontecimento. E inclui frases de efeito, como a que ele diz, que fora pronunciada por Saddam Hussein: “Prefiro matar meus amigos por engano, que deixar meus inimigos viverem”.

O longa mistura imagens da ficção com as da televisão transmitidas à época em que aconteceu o fato, como os discursos reais de Bush e Valerie. E, como também é diretor de fotografia, Liman usa as lentes para aproximar e afastar do personagem, mostrando compreensão, mas sem se esquecer do movimento nervoso da câmera na mão, em cenários localizados em cinco países diferentes.

Naomi Watts (“King Kong”) e Sean Penn (“Milk – A Voz da Igualdade”) já haviam trabalhado juntos em “21 Gramas”, do mexicano Alejandro González Iñárritu, de maneira que a química entre ambos funciona bem. Esse, aliás, é um dos atrativos para que o espectador compartilhe com o sentimento deles, como cumplicidade e, ao mesmo tempo, da luta por manter o casamento e, consequentemente, a família.

“Jogo de Poder” traz informações sobre os problemas enfrentados durante todo o governo Bush, nos Estados Unidos, o jogo de intriga provocado por ele e seus secretários, além, é claro, do próprio jogo de poder, uma vez que, na hora de comprovar tais atos, fica aquela história de “nun­ca ouvi falar em você ou do seu programa”, que acaba se dando mal quem resolve fazer o bem para o país.

Típico quando se trata de manipulação do povo e dos funcionários do governo. Independentemente do resultado, que seja prevalecida a verdade. Sempre.


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