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O Discurso do Rei

11 fev 2011

written by Memória Cinematográfica

Da sua filha, muito já se falou. No entanto, não havia nenhum filme que contasse a história do rei George VI, do Reino Unido. Tampouco da maneira como o diretor Tom Hooper escolheu para contá-la, em “O Discurso do Rei” (“The King’s Speech”), longa-metragem que estreia nesta sexta-feira, 11 de fevereiro, nos cinemas.

De maneira linear, a narrativa traça a trajetória do futuro monarca britânico. E inicia a partir do  momento no qual o duque de York, Bertie (Colin Firth, ótimo!), vai ao estádio de Wembley pronunciar um discurso em nome do seu pai, o rei George V (Mi­chael Gambon, de “Harry Potter”), que está acamado, mas quase não consegue. Isso porque ele não está somente nervoso por conta da transmissão pelo rádio e para a multidão presente, mas também porque ele não sabe falar em público; sofre de problemas com a fala, ou seja, o duque de York é gago. E o foco do roteiro escrito por David Seidler é justamente a sua gagueira.

Sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham-Carter), a futura Rainha Mãe, vai atrás de um especialista da fala. É aí que ela encontra Lionel Logue (Geoffrey Rush), um imigrante australiano que garante ter sucesso com pessoas que têm esse tipo de problema.

Entre citações de Shakespeare, gravações de sua voz em aparelhos recém-adquiridos da América, exercícios de “trava-língua”, música, dança (e até palavrão) para não gaguejar, Bertie, como é chamado pela família e também pelo médico para quebrar as formalidades reais, faz de tudo para conseguir vencer.

Embora ele não seja o primeiro herdeiro do trono assim que seu pai morre, assume um ano depois de coroado David, o rei Eduardo VIII (Guy Pearce), pois as formalidades reais não permitem que o rei seja casado com uma mulher divorciada, pois ele é o chefe da igreja. Sendo assim, é Bertie quem assume o trono – mesmo que a contra-gosto.

Dentre os atores britânicos que poderiam interpretar o personagem, entre eles o galã Hugh Grant, foi escolhido Colin Firth, que encabeçou o papel e o interpreta de maneira brilhante. Sim, Firth responde às expectativas do público quanto a sua atuação.

Com filmagens na suntuosa Abadia de Westminster, em Londres, onde acontecem as coroações, passando pelo Palácio de Buckingham, entre outros, a câmera de Hooper, que tem muito mais experiência com televisão que com cinema, é diegética, ou seja, mostra as imagens sob o olhar do personagem que está sendo focado. Assim, insere o espectador na cena.
Outros destaques são o figurino (toda a pompa dos vestidos e das casacas) e as formalidades que os monarcas são obrigados a fazer.

Tal como em “A Rainha”, que contou a história de Elizabeth II, ou seja, a filha do rei George VI, além de outros longas sobre a monarquia britânica, como “Elizabeth”, com Cate Blanchett no elenco, e ainda “A Jovem Rainha Victoria”, lançado em 2009, o longa se passa nos anos 1930 e apresenta uma história simples, mas de maneira sucinta, que prende a atenção e instiga o espectador. De brinde, uma verdadeira aula de história.

Além dos personagens principais que vivem no reino, destaque para Timothy Spall, como o ex-primeiro ministro, Winston Churchill. Apesar de bom ator, está bastante caricato. E, como forma de dar o melhor rumo para a Segunda Guerra Mundial que acaba de explodir, o rei declara guerra contra a Alemanha, em 1939, época na qual Adolf Hitler faz suas crueldades. Há imagens, inclusive, que dão conta da adoração dos alemães pelo ditador – ou pelo menos da demonstração disso.

A fita é baseada em uma história real e de sucesso, uma vez que, como sabemos pela história da realeza britânica, na sequência de rei George VI subiu ao trono Elizabeth II, que ocupa desde 1952. Não é à toa, pois, que há a famosa aclamação do povo: “God save the king” (Deus salve o rei).

Com 12 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Diretor, Ator, AtrizCoadjuvante, a fita agrada pelo fato de ser delicada, intimista e real. Ao mesmo tempo, e por ser simples, o longa torna-se convencional, sem muitos atrativos. A não ser, é claro, a própria história do monarca que, esta sim, é repleta de surpresas.


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