Memória Cinematográfica

Menu

Oscar – as apostas

Oscar 6 março 2010

Será neste domingo, 7, a partir das 22h (horário de Brasília), a entrega do Oscar, prêmio mais cobiçado do cinema. A cerimônia realizada anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood vai premiar as melhores produções americanas e um filme de produção estrangeira.

As grandes disputas pelo prêmio são porque o Oscar é capaz de aumentar a venda de ingressos e, posteriormente, de home vídeo, quando um filme ganha o prêmio ou apenas concorre a um.

As distribuidoras, aliás, utilizam o Oscar como garantia de aumento de vendas quando estampam as estatuetas nas capas de suas produções e nas campanhas publicitárias ou quando ele entra em cartaz. No entanto, vale lembrar que o Oscar é a festa do cinema americano, ou seja, é natural que as indicações privilegiem suas produções, aquelas que eles prestigiaram e gostaram. Se as escolhas agradam a todos ou não, é outra história.

Diferentemente das edições anteriores, nesta 82ª foram indicados 10 longas-metragens na categoria melhor filme. É bem verdade que o motivo aparenta ser mais pelo marketing e audiência que qualquer outro argumento, principalmente pela queda na popularidade do prêmio. Contudo, esta não é a primeira vez que são escolhidos 10 filmes. Em 1934 e 1935, foram selecionados 12. Nas demais categorias, como de costume, são cinco.

Sucesso de bilheteria, a ficção científica “Avatar“, de James Cameron, recebeu nove indicações (incluindo melhor filme e direção). No Globo de Ouro, prêmio concedido pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood, considerado uma prévia do Oscar, “Avatar” conquistou os prêmios de melhor filme e diretor. No César, o Oscar francês, porém, na categoria de filme estrangeiro, “Gran Torino“, de Clint Eastwood, derrotou a ficção de Cameron.

Nove indicações também recebeu o drama “Guerra ao Terror”, que retrata de maneira convincente o Iraque. A fita, dirigida por Kathryn Bigelow, ex-mulher de Cameron, não estava tão bem cotada no ano passado, pois fora lançada em DVD e só neste ano começou a ser exibida nos cinemas.

Ainda como melhor filme competem: “Bastardos Inglórios“, sobre a Segunda Guerra Mundial, com oito indicações; “Amor Sem Escalas” (sobre demissões nas corporações) e o drama “Preciosa”, indicados em seis categorias cada. E fecha com: outra ficção científica “Distrito 9“, o inglês “Educação“, “Um Sonho Possível”, “Um Homem Sério” e a animação “Up – Altas Aventuras“. Essa também concorre em sua categoria (melhor filme de animação), além de roteiro, trilha sonora e som.

Talvez o melhor entre os indicados (embora nem todos os 10 estejam disponíveis no Brasil) é o filme dirigido por Quentin Tarantino, “Bastardos Inglórios“. Além desta categoria, concorre na de diretor, roteiro original, ator coadjuvante para o austríaco Christoph Waltz. Esse, aliás, tem grandes chances de levar a estatueta, tal como levou o Globo de Ouro. Contra ele estão Matt Damon (muito bom em “Invictus“, de Eastwood), Woody Harrelson (“O Mensageiro”), Christopher Plummer (“The Last Station”) e Stanley Tucci (“The Lovely Bones”).

Talvez seja considerado azarão, mas concorre em nove categorias o filme “Preciosa”, que também disputa os prêmios de direção (Lee Daniels), roteiro adaptado, atriz (Gabourey Sidibe) e atriz coadjuvante (Mo’Nique).

Briga boa deve ser a de atriz, na qual Meryl Streep concorre à 16a estatueta (e já levou duaapenas s na carreira). Desta vez é por sua atuação em “Julie & Julia” e interpreta uma americana que vai viver em Paris e aprende a fazer as delícias da culinária francesa. Ao seu lado concorrem: Sandra Bullock (“Um Sonho Possível“), Helen Mirren (“The Last Station”), Carey Mulligan (“Educação“) e Gabourey Sidibe (“Preciosa”).

Desses, os dois últimos estão em cartaz e é possível dizer que Carey está muito bem no papel sobre a adolescente que descobre o amor e o sexo na Londres dos anos 1960, mas talvez seja muito jovem para ganhar o prêmio da Academia. Sandra Bullock, que vem causando discórdia entre a crítica especializada, levou o Globo de Ouro e pode ser que leve o seu primeiro Oscar.

Na categoria masculina, George Clooney recebeu sua quarta indicação, sendo que as anteriores foram para melhor ator coadjuvante (em “Conduta de Risco” e “Syriana” – que, enfim, ganhou), além da indicação como melhor diretor e roteirista para “Boa Noite, Boa Sorte“.

Na briga, estão Jeff Bridges (“Coração Louco”), vencedor do Globo de Ouro, Colin Firth (“Direito de Amar”), Morgan Freeman (“Invictus“, ótimo) e Jeremy Renner (“Guerra ao Terror”). Clooney está muito bom neste papel e mostra que não é apenas um rostinho bonito em Hollywood. E Freeman, como o presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela, dá um show de interpretação.

Não será surpresa se os integrantes da Academia reprisarem o voto do Globo de Ouro, mas seria melhor se tivesse um outro ganhador, ainda que “Coração Louco” não tenha estreado no Brasil (será sexta, 5).

Apesar de “Avatar” ter conseguido nove indicações, deve ficar com os prêmios técnicos, como: som, mixagem de som, efeitos especiais. A contar dos mais de R$ 2 bilhões de dólares arrecadados, seria justo deixar os prêmios principais aos outros filmes, que têm melhor roteiro, direção, atores.

Uma categoria que não deve trazer surpresa é de melhor longa-metragem de animação. Neste item concorrem “Coraline e o Mundo Secreto”, “O Fantástico Sr. Fox”, “A Princesa e o Sapo“, “The Secret Of Kells” e “Up – Altas Aventuras“, produção da Pixar/Disney, responsável por filmes que igualmente venceram o Oscar, como “Wall-E”, “Ratatouille“, “Os Incríveis”, “Procurando Nemo”. “Up” foi o vencedor do Globo de Ouro na categoria.

Confira a lista completa dos indicados e faça as suas apostas.

Antes, preciso dizer que não assisti a todos os filmes. Não vi “Preciosa”, “O Mensageiro” nem “Um Homem Sério”.

Avatar” é uma superprodução cujo valor estimado da produção é de mais de 237 milhões de dólares, mas pode chegar a 500 milhões. É uma ficção científica que se passa em outro planeta. É para lá que vão pesquisadores humanos destruir aquele local para explorar o minério. Seu roteiro é convencional – é a luta do bem contra o mal – e com final previsível. É uma tremenda crítica ao mundo moderno, à sociedade e à natureza.

Amor Sem Escalas” fala sobre o mundo corporativo e, embora tenha um nome que parece de filme bobo, não é não. É um filme que discute o desapego e coloca em questão relacionamentos, os avanços tecnológicos e as falhas de comunicação.

“Guerra ao Terror” retrata a guerra no Iraque, assunto que está bem próximo dos noticiários de hoje. A diretora é ex-mulher de James Cameron, e fez um filme bom, com muitas cenas com a câmera na mão, de modo que insere o espectador dentro do filme, além de o som ser bem posicionado, pois podemos ouvir a respiração do soldado americano que vai desarmar as bombas plantadas pelos iraquianos para destruÍ-los. O assunto é pesado e talvez por isso tenha saído primeiro em dvd e depois nos cinemas. Acho que as pessoas preferem sair de suas casas para ver um bom filme e não ver um reflexo daquela realidade idiota que condenamos.

Educação” é um filme escrito por Nick Hornby sobre uma adolescente que vive na Inglaterra dos anos 1960. Entre a rigidez do seu país, o pai autoritário e medroso que só quer que a filha estude latim para que possa ingressar na faculdade de Oxford, a menina começa a descobrir as delícias do amor e do sexo quando conhece um cara mais velho e decide se casar. É um filme muito próximo da nossa realidade atual, tem uma trilha sonora linda e é bastante interessante. Discute a educação que não está apenas nos livros. Não acho que é seja um filme para ganhar o oscar, mas é um ótimo para ser assistido e apreciado.

“Distrito 9” parece um documentário, com depoimentos no início, mas depois conta-se uma história sobre os alienígenas que estão há 20 anos na terra e, por algum motivo, não conseguem voltar para casa. Não acredito também que seja um filme para o oscar nem achei tão bom assim, nem para indicação.

Up – Altas Aventuras” é a animação da Pixar, um filme sobre um velhinho que não quer vender a sua casa para as grandes incorporadoras que estão dominando o seu bairro, então decide voar com ela para a américa do sul. Um filme sensível e emocionante, mas deve ficar mesmo com o prêmio de melhor animação.

Bastardos Inglórios” se passa durante a Segunda Guerra Mundial, em uma França ocupada pela é Alemanha nazista. O diretor Quentin Tarantino, autor do roteiro não-linear, mistura o real e o irreal em um filme cheio de personagens caricatos com um humor ácido. É o filme que eu gostaria que ganhasse, mas é provável que nem o filme nem Tarantino leve o prêmio, mas sim “Avatar” e James Cameron.

Na categoria masculina, George Clooney recebeu sua quarta indicação. Em “Amor Sem Escalas”, Clooney está realmente muito bom e mostra que não é apenas um rostinho bonito em Hollywood. Morgan Freeman como o presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela, dá um show de interpretação em “Invictus”. E eu votaria nele. Na briga, estão também Jeff Bridges, por “Coração Louco”, vencedor do Globo de Ouro, Colin Firth, por “Direito de Amar”. Há também Jeremy Renner em “Guerra ao Terror”. Não será surpresa se os integrantes da Academia reprisarem o voto do Globo de Ouro, escolhendo Jeff Bridges, que não o vi neste filme, mas seria muito bom que tivesse um outro ganhador.

Briga boa deve ser a de atriz. Meryl Streep concorre à sua décima sexta estatueta e já levou duas. Agora ela disputa por sua atuação em “Julie & Julia”. Não vi Helen Mirren em “The Last Station”. Carey Mulligan, em “Educação“, está muito bem no papel sobre a adolescente que descobre as delícias do amor e do sexo na Londres dos anos 1960, mas talvez seja muito jovem para ganhar o prêmio da Academia. Helen Page, quando fez “Juno”, poderia ter ganhado, mas quem levou foi Marion Cottilar, por “Piaf”.

Não vi Sandra Bullock, em “Um Sonho Possível”. Ela vem causando discórdia entre a crítica especializada, levou o prêmio no Globo de Ouro e pode ser que leve o seu primeiro Oscar também. Das atrizes que assisti, votaria em Meryl Streep, que me divertiu no longa.

É isso. Agora é esperar para ver quem a Academia vai premiar.

Mais Lidas

Veja também