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Up – Altas Aventuras

31 jul 2009

written by Tatiana Babadobulos

Depois de ser apresentado na abertura do Festival de Cannes deste ano, “Up – Altas Aventuras” estreou nos Estados Unidos e em alguns países da América Latina, onde, aliás, assisti, uma vez que, no Brasil, o lançamento da Pixar chega apenas em 4 de setembro.

Primeiro longa-metragem do estúdio a ser lançando em 3-D (embora outros estúdios já o tenham feito, como a DreamWorks, com “Monstros vs Alienígenas” e a Blue Sky, com “A Era do Gelo 3“), ou seja, cuja exibição exige que a plateia utilize óculos especiais, “Up – Altas Aventuras” conta a história de Carl Fredricksen, um vendedor de balões de 78 anos que, depois de lutar contra os investidores por conta da casa onde sempre morou desde que se casou com Ellie, resolve o problema quando amarra milhares de balões em sua casa e a faz flutuar, tal como se estivesse, de fato, dentro de um balão viajando para as florestas da América do Sul.

Pouco antes de ele ter essa brilhante ideia, porém, bate a sua porta um menino de oito anos, Russell, que se diz explorador da natureza e, portanto, quer ajudar o idoso a atravessar a rua, cortar a grama do seu jardim, o que for. A maior descoberta de Carl é que, assim que a casa parte para os ares, alguém bate novamente a sua porta e pede para entrar.

Tal como “Wall-E” (filme lançado em 2008), que pode ser classificado (além de cinema de animação, cinema de gênero) como ficção científica e comédia romântica, “Up – Altas Aventuras” é uma animação que se divide entre o drama e a comédia. O drama fica explícito no início quando o protagonista, que está apaixonado por sua esposa que nunca conseguiu ter filhos, adoece e morre. Sozinho na casa em que os dois moraram desde que se casaram, ele vive a rotina desgastante lutando contra os investidores que insistem em comprar a sua casa para derrubá-la e dar lugar a mais um empreendimento imobiliário, ouvindo o barulho da vizinhança, dizendo não ao insistente menino que quer ajudá-lo seja no que for preciso.

Embora ele seja ranzinza e reclamão, e prossiga vivendo de lembranças, uma vez que Ellie continua presente – nas fotos colocadas nas paredes e nas estantes da casa, no caderno onde escreve desde criança as suas aventuras, na poltrona onde costumava se sentar –, inclusive em termos musicais, já que a trilha sonora que se repete quando ela aparece subliminarmente como personagem do filme, sua vida dá uma guinada quando vai viajar para a América do Sul a bordo de sua casa e, no caminho, enfrenta o mal e seus próprios defeitos, conhece gente nova, convive com o garoto que poderia ser o neto que nunca teve, faz amigos bichos, como o cachorro falante Dug e o pássaro gigante Kevin, ajuda a natureza e, então, o drama vira comédia, vira aventura, ação. Como se diz um explorador da natureza e por ter freqüentado curso de escoteiro, Russell mostra a Carl o que é um GPS, ajuda-o a manobrar a casa, a literalmente carregá-la nas costas, a ver a vida por outro ângulo que não conhecia.

De acordo com o material de divulgação para a imprensa, uma das tarefas mais difíceis no filme foi criar o conjunto de balões que leva a casa de Carl. “Era importante para o filme ter uma simulação realista dos balões. Os balões se comportam de forma realista, embora a noção de ser capaz de erguer uma casa com balões seja bastante absurda. Nós não somos físicos, mas um de nossos diretores técnicos calculou que seriam necessários de vinte a trinta milhões de balões para conseguir erguer a casa de Carl. Nós acabamos usando 10.297 para a maior parte das cenas em que a casa flutua e 20.622 quando ela decola. O número varia de tomada para tomada, dependendo do ângulo, da distância e do tamanho de forma a que fique interessante, convincente e visualmente simples”, diz Steve May, supervisor e diretor técnico do filme.

Ainda no material de divulgação, John Lasseter, que novamente é produtor executivo deste décimo lançamento do estúdio, diz que, “junto com o humor, é preciso ter emoção”. “Walt Disney sempre disse: ‘Para cada riso, deve haver uma lágrima.’ Eu creio nisso.” Para o público que está se divertindo na platéia com os óculos especiais e vendo a animação por computador mais perfeita do que nunca e, em alguns momentos, com imagens bem próximas de si, fica a lição para levar para a casa e pensar que a felicidade pode estar nas coisas mais simples, ainda que não tenhamos a vida que sonhamos.

“Up – Altas Aventuras” não é o melhor filme da Pixar (em minha opinião, “Wall-E” continua sendo o primeiro), mas há de se dizer que trata-se de uma produção bem-feita, que utiliza alta tecnologia para o desenvolvimento dos personagens animados por computador, com pele, cabelos e roupas perfeitos, com senso de humor peculiar, principalmente por conta do humor ácido do protagonista que se contrapõe com a inocência da criança, e conta uma história emocionante do início ao fim.


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