Memória Cinematográfica

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Elenco e diretor falam sobre “À Deriva”

Entrevista Nacional 28 julho 2009

Depois que o roteiro já estava praticamente pronto, o diretor Heitor Dhalia (o mesmo de “O Cheiro do Ralo”), zapeando a televisão em uma Quarta-feira de Cinzas, viu o ator francês Vincent Cassel, em férias no Brasil, falando português na televisão. Então, se deu conta que ele seria um protagonista perfeito para o filme que estava escrevendo o roteiro.

“À Deriva”, seu novo longa-metragem, foi apresentado em junho no Festival de Cannes, onde foi aplaudido por mais de cinco minutos. Em São Paulo para a divulgação do longa-metragem que estreia dia 31 de junho, Dhalia comenta que a narrativa é autobiográfica. “Lembra a separação dos meus pais. Fala de confiança, traição.”

O filme conta a história de uma família de classe média (pais, vividos por Vincent Cassel e Debora Bloch, e três filhos) que vão passar as férias na praia. Porém, eles terão de enfrentar os problemas da convivência, a confiança. A filha mais velha, vivida pela atriz Laura Neiva, em seu primeiro trabalho, flagra a traição do pai, um escritor que se refugia na cidade praiana para terminar o livro.

E é justamente na praia exuberante, com imagens inclusive debaixo da água transparente, que se passam algumas cenas e, como justifica o diretor, é a direção de arte colorida que compensa o clima horrível da traição. Embora não tenha nenhuma cena que diga onde é, a praia está localizada em Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, e a história se passa entre as décadas de 1970 e 1980.

“Não escolhemos o ano, apenas fizemos a direção de arte de acordo com as lembranças que tínhamos desse período”, diz a diretora de arte Guta Carvalho, lembrando que o figurino, que também contribuiu para isso, foi elaborado pelo estilista Alexandre Herchcovitch.

Heitor Dhalia diz que é fã de Vincent Cassel e que foi uma honra trabalhar com ele, principalmente pelas lições aprendidas, uma vez que a escola da qual ele veio (francesa) é diferente da de Debora Bloch, por exemplo, e também porque há no filme muitos não-atores. Ao receber o convite, aliás, Cassel, que recentemente pôde ser visto nos cinemas brasileiros no filme “Inimigo Público No 1 – Instinto de Morte”, disse, também na coletiva, que aceitou fazer o filme “pela paixão pelo país e pelo idioma”. Após a coletiva, aliás, ele falou à Folha de Alphaville, que filmou primeiro o thriller (que será lançado em DVD pela California Filmes em setembro) e depois fez o drama brasileiro. “Foi ótimo [sair de um filme de perseguição e fazer um drama], porque muda o ritmo e eu vim em férias para o Brasil e aproveitei para filmar. Deu tudo certo”, conta o ator em um perfeito português.

Debora Bloch, uma das melhores coisas do filme (se não a melhor), conta que, para construir sua personagem, uma mãe atormentada, que bebe muito e quer se separar do marido, absorveu muitos elementos do próprio roteiro. “Minha partitura é o roteiro. Muitas vezes, a imagem de uma mãe bêbada fala mais que qualquer diálogo. O roteiro tinha muito material emocional e o Heitor sabe pedir exatamente o que ele quer”, diz ela.

A protagonista é vivida pela estreante Laura Neiva, de 15 anos. A menina é a filha mais velha do casal que vive com a o dilema por ter descoberto a traição do pai e não sabe se conta para a mãe. Ela diz que foi encontrada pela produção em um site de relacionamento e que só aceitou fazer o papel depois de três meses de insistência da produção. “Foi tudo espontâneo e divertido, ainda não caiu a ficha”, diz ela sobre o fato de se tornar famosa. “Só tenho certeza que é isso o que eu quero fazer para o resto da vida.”

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