Memória Cinematográfica

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Jean Charles

Estreia Nacional 26 junho 2009

Radicado em Londres, o diretor brasileiro Henrique Goldman, ao lado do co-roteirista Marcelo Starobinas, resolveram escrever um roteiro sobre Jean Charles de Menezes, o eletricista mineiro morto por agentes do serviço secreto britânico no metrô em 22 de julho de 2005. O primeiro passo, aliás, foi oferecer a emissoras britânicas a ideia de um documentário, uma vez que já haviam feito outros trabalhos com esta linguagem. No entanto, não obteve resposta positiva.

Depois de o projeto ir para a gaveta, finalmente eles encontraram produtores interessados em fazer “Jean Charles”, longa-metragem que estreia nos cinemas nesta sexta-feira, dia 26, uma coprodução Brasil e Inglaterra.

A fita, que conta a história do rapaz que foi confundido por um terrorista e tragicamente assassinado na estação de metrô Stockwell, começa a partir do momento em que a prima Vivian (Vanessa Giácomo) chega à cidade e começa a procurar emprego, pois precisa mandar dinheiro para a mãe doente no Brasil.

Jean Charles é interpretado por Selton Mello, o responsável por convencer Vivian a se mudar para o país, além de viver com os primos Alex (Luís Miranda) e Patrícia (vivida pela própria Patrícia Armani).

Ao chegar ao velho continente, Vivian começa a trabalhar em um restaurante e Jean Charles, que tem muitos amigos brasileiros, é uma espécie de motor: ele é capaz de motivar as pessoas da casa a conseguirem melhores empregos, além de oferecer trabalho a outros e vender vistos permanentes.

De um modo linear, Henrique Goldman aponta suas lentes para os cartões postais da cidade, como London Eye, Big Ben, Tower Bridge, rio Tâmisa, e para o dia a dia não apenas desses brasileiros, mas também de outros que trocam seu país natal para viver muitas vezes ilegalmente em busca de um bom punhado de libras. E vai contando, portanto, a história dele, mas sob o olhar da prima, uma moça do interior de Minas Gerais que deixou o namorado em sua cidade a fim de conseguir dinheiro para ajudar a família.

Não resta dúvida que se trata de uma boa história a ser contada, uma vez que, mesmo depois de quatro anos, o episódio não teve resolução, haja vista a família que ainda lutar por justiça. O destaque, porém, é principalmente para a interpretação de Selton Mello, que com seu timing de humor apresenta um personagem engraçado e ao mesmo tempo emotivo, por exemplo quando fala com a família ao telefone. O que não se sabe, contudo, é se de fato Selton está interpretando ou se é ele mesmo quem está em cena, uma vez que Jean Charles, um matuto do interior, talvez não tivesse a malevolência do ator, que também é mineiro, mas foi criado em São Paulo.

Destaque também para as tiradas de sarro de Luís Miranda, como quando ele apresenta para Vivian as maravilhas que os eletrodomésticos são capazes de fazer na cozinha.

Como já se sabe o final da história, uma vez que o fato foi noticiado em todos os jornais na época, não existem muitas novidades no filme, a não ser o modo como Henrique Goldman conta a história. No entanto, “Jean Charles” é uma ótima oportunidade de se conhecer o que aconteceu naquele trágico dia, uma vez que o roteiro foi escrito com base nos laudos policiais e nos depoimentos dos amigos próximos. Assim, será possível entender que os policiais, em seus depoimentos, tentaram forjar o ocorrido, alegando que atiraram em autodefesa. Balela.

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