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Três Vezes Amor

25 abr 2008

written by Memória Cinematográfica

Sabe aquela máxima que diz: muitas histórias já foram contadas, mas ainda falta a sua? Pois bem, o diretor e roteirista Adam Brooks, o mesmo de “Bridget Jones – No Limite da Razão”, achava que ainda tinha uma história para contar e resolveu escrevê-la.

O resultado pode ser visto nos cinemas a partir de sexta-feira, dia 25 de abril, no longa-metragem “Três Vezes Amor” (“Definitely, Maybe”). À primeira vista, principalmente por conta do título, imagina-se que é mais uma comédia romântica a estrear na telona.

E é. Porém, Brooks consegue inserir a sua história em um contexto diferente dos tradicionais e ainda brinca com a linearidade e faz um vaivém no tempo que instiga o espectador, pois ele acredita no personagem e quer conhecer o final do romance.

O filme inicia quando Will (Ryan Reynolds) está caminhando pela rua, ouvindo música utilizando o seu fone de ouvidos, enquanto faz narrações em off. Na verdade, Will está indo buscar a sua filha Maya (Abigail Breslin), mas quando chega na escola encontra uma confusão armada por pais e mães, pois seus filhos pequenos tiveram aula de educação sexual.

Logo de cara, Maya diz que quer ter uma conversinha com o pai e dispara perguntas relacionadas com o tema da aula, como: “Os dois não queriam um bebê, mas fizeram sexo?”. Isso porque Will e a mãe de Maya estão se separando. Suas perguntas, sempre “na lata”, fazem o pai se constranger, mas ela o convence a contar a história sobre como ela veio ao mundo, como seus pais se conheceram etc. É neste momento que o filme deslancha e inicia um leve suspense.

A menina Abigail Breslin é doce, mas está sempre questionando as atitudes do pai e de outras pessoas que conhece, tem atitudes adultas, convence o espectador. A atriz, que fez muito sucesso e concorreu ao Oscar no longa independente “Pequena Miss Sunshine”, atrai a atenção do espectador e cumpre o seu papel.

No entanto, ela aparece pouco, pois, a seu pedido, o pai começa a contar a história sobre como conheceu a sua mãe. Então, as lentes de Brooks voltam no tempo e a direção de arte reconstrói a Nova York de 1992, antes dos ataques de 11 de Setembro, claro, e mostra as ruas da cidade, as Torres Gêmeas, a campanha eleitoral de Bill Clinton. A trilha sonora também acompanha esse retrocesso e há destaque para “Come As You Are”, do Nirvana, que inclusive é cantada pelos personagens.

A partir daí, entram na trama três mulheres (três amores?), como a namorada de faculdade Emily (Elizabeth Banks), a amiga e confidente April (Isla Fisher) e a jornalista Summer (Rachel Weisz).

Assim como Maya, o espectador é convidado a acompanhá-la na atitude de conhecer a vida de Will, seus romances, trabalhos que conseguiu em Nova York. Neste quesito, aliás, Brooks faz muito bem, pois ele aprofunda os personagens de maneira que a platéia se envolve com cada um deles. Esse sentimento é compartilhado pela garota, que torce por alguma mulher que ela goste ser a sua mãe de verdade.

A atriz Rachel Weisz, que trabalhou com o diretor brasileiro Fernando Meirelles na produção “O Jardineiro Fiel” e ganhou o Oscar, faz novamente o papel de uma jornalista, desta vez ambiciosa e que está sempre atrás de uma boa história para sua revista, doa a quem doer.

Na mesma linha, Elizabeth Banks faz uma moça simples que chora quando seu namorado deixa a cidade onde moram para buscar emprego em Nova York. Porém, do outro lado, a australiana Isla Fisher traz o equilíbrio, faz uma moça independente, que não liga para política, faz pouco caso de romances e talvez nem acredite no verdadeiro amor.

“Três Vezes Amor” pode parecer piegas, mas não é. É daquelas histórias que cativam o espectador e emociona quem compartilha do mesmo sentimento que os atores estão interpretando na tela.


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