Memória Cinematográfica

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Um Verão Para Toda Vida

Estreia 1 novembro 2007

Quando aparecem os créditos, já dá para se dar conta de que vem, no mínimo, um filme com belas locações. Isso porque “Um Verão para Toda Vida” (“December Boys”), que estréia nesta sexta-feira, dia 2 de novembro, foi inteiramente filmado na Austrália. A fita, dirigida por Rod Hardy, que especializou-se em séries de televisão, tem um toque de saudosismo, mas é tudo proposital.

Narrado em primeira pessoa por um dos personagens já adulto, o filme pretende apresentar como a infância pode ser um período de conhecimento, aproximação, descobertas, diversão e, claro, muito aprendizado. A voz que escutamos em off é do ator Max Cullen, que, obviamente, só aparecerá no final, como é bastante previsível. Mas é sobre a sua história, e de outros três órfãos que vivem com ele em um convento católico que ele vai contar.

A narrativa é baseada no romance de Michael Noonan e se passa nos anos 1960, no deserto da Austrália (Outback). Mas ele, conhecido como Misty (Lee Cormie), e mais os outros três adolescentes, aniversariantes de dezembro, portanto os December Boys, são enviados pelo convento para umas merecidas férias em uma cidade praiana. A partir de então, a vida dos quatro nunca mais será a mesma e aquele verão será memorável entre Maps (Daniel Radcliffe), Spark (Christian Byers) e Spit (James Fraser).

Inicia-se portanto uma viagem na costa Australiana, com suas paisagens deslumbrantes, mares de cores claras e visual ímpar. Os rapazes, que nunca tinham visto algo assim, são capazes de aprontar muito, de realizarem descobertas sobre o sexo feminino e também de acreditar que um dia poderiam ter uma família tal como as que vivem naquele local e, por que não?, serem adotados por casais que não conseguem ter filhos.

O personagem vivido por Daniel Radcliffe, que ficou muito conhecido no cinema por viver o personagem-título da franquia “Harry Potter”, é o mais velho dos três e vê em Lucy (Teresa Palmer), uma jovem linda, a oportunidade de se apaixonar e viver um verdadeiro amor de verão.

O filme possui poucas imagens rodadas em estúdio e Rod Hardy aproveita para executar com sua câmera travellings, movimento que permite apresentar as lindas paisagens australianas: uma atitude bastante utilizada, mas que pode ser justificada, já que locações como as que eles escolheu são raras de se ver em cinema.

Durante muitas tomadas ele passeia com a sua câmera sobre o mar que banha a cidade e se debruça sobre grandes rochedos. Planos memoráveis feitos a partir de travellings, aliás, foram utilizados por Orson Welles em seu clássico “Cidadão Kane”, principalmente em cenas internas, quando utiliza o recurso para apresentar a cena em maior espaço.

Há quem possa achar a história de “Um Verão para Toda Vida” piegas ou saudosista, principalmente nos momentos finais, quando uma expectativa é desfeita. Entretanto, o longa-metragem é capaz de emocionar, de fazer o espectador refletir e também se divertir com a composição de imagens maravilhosas, uma história sensível acompanhada por uma trilha sonora bem colocada.

 

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