Memória Cinematográfica

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O Passado

Estreia 26 outubro 2007

A impressão que se tem ao assistir ao longa-metragem “O Passado” (“El Pasado”) é que todas as mulheres são loucas e os homens, bobos. É claro que este é apenas um viés da história contada a partir do romance homônimo escrito pelo argentino Alan Pauls.

Dirigido e escrito por Hector Babenco (“Carandiru”), argentino de nascimento, mas radicado no Brasil, o longa, que estréia nesta sexta-feira, dia 26 de outubro, foi escolhido para abrir a 31ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no último dia 18.

A fita começa quando o casal Rimini (Gael Garcia Bernal) e Sofia (Analía Couceyro), após 12 anos de casamento, resolvem se separar. Sofia foi sua primeira namorada, e sair de casa e fazer a divisão dos bens não é tarefa fácil. Por tanta convivência, os dois também são amigos, mas essa amizade começa a se tornar um problema quando Rimini inicia namoro com a modelo Vera (Moro Anghileri), uma moça jovem, sedutora, mas extremamente ciumenta (as cenas que ela protagoniza, principalmente quando tem o ciúme como questão, são muito desconfortáveis e irritantes).

De tão ciumenta, Vera presencia uma cena e acaba sendo atropelada, no mesmo dia em que Rimini reencontra uma ex-colega de faculdade, a também tradutora Carmen (Ana Celestano). Durante um evento, com a presença do professor francês Poussière (Paulo Autran, ótimo!), Rimini tem uma queda de pressão, passa mal e a partir daí começa a ter lapsos de memória.

Rimino e Carmen se casam e têm um filho; no entanto, nada será como antes. Rimini passa por situações desagradabilíssimas, principalmente por se sentir mal em ser sustentado por Carmen, e continua sendo pressionado por Sofia, que não desiste do seu amor. Daí para a frente, Rimini entra em um processo de autodestruição, até que dá a volta por cima com a ajuda de um amigo de seu pai.

Gael Garcia Bernal é um ator que consegue interpretar papéis de jovem sedutor e também de homem à beira de uma crise, que sofre por amor, por injustiça. A todo tempo, Babenco posiciona sua câmera de maneira realista para mostrar as diversas faces de todos os personagens.

A presença de Paulo Autran como um professor atrapalhado é rica, cheia de piadas, além de ter um gosto nostálgico, já que este foi seu último trabalho no cinema. E a cena em que Autran participa, como lembra Babenco, é essencial para a continuação da história, já que reúne as três personagens femininas ao lado de Gael. Babenco, repare, também faz uma ponta no longa durante a projeção de um filme no cinema.

As mulheres que vivem as três namoradas de Rimini são lindas, fisicamente muito parecidas, mas sempre com uma química que funciona (os en-saios ajudaram muito para isso, além de Gael ter contribuído para a seleção delas ao lado do diretor).

“O Passado” é um filme sensível e com aspectos realistas, além de um melodrama perturbador, que pode fazer muita gente pensar nas atitudes que os personagens tomam para ficar longe de tipos delineados pela história. No mínimo, uma boa lição de casa!

 

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