Memória Cinematográfica

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Morte no Funeral

Estreia 18 outubro 2007

A comédia romântica inglesa “Quatro Casamentos e um Funeral”, lançada em 1994, e dirigida por Mike Newell, tratou o enterro com graça e com um humor leve. Dia 5 de outubro, os ingle-ses voltam a tocar no assunto usando o humor ácido, que lhe é peculiar, no longa-metragem “Morte no Funeral” (“Death at a Funeral”).

A fita já começa a cutucar o espectador para que ele perceba que se trata de uma família desajustada. Isso porque, quando o carro da funerária chega, o defunto que está no caixão não é o membro da família que morreu. A partir daí, histórias paralelas permeiam a película com ganância, revelações, situações bizarras e engraçadas, de modo que a família começa a se preocupar mais com si mesma do que com a despedida do ente querido.

Dirigido por Franz Oz (“Será Que Ele É?” e criador de Yoda, de “Star Wars”), o filme se passa basicamente dentro da casa onde está sendo realizado o velório do corpo do patriarca da família que vive em Londres. Daniel (Matthew Macfadyen) vive com os pais e com a esposa e é aspirante a escritor, mas vive à sombra do irmão, Robert (Rupert Graves), que é famoso, mesquinho e vive nas altas rodas nova-iorquinas. Mas é a prima de Daniel, Martha (Daisy Donovan), noiva de Simon (Alan Tudyk), quem vai desenrolar boa parte da história, principalmente porque ela dá a seu noivo comprimidos alucinógenos pensando que é Valium. Um dos mistérios da narrativa será revelado por Peter (Peter Dinklage), que com certeza vai fazer a família inteira virar de pernas para o ar.

Os personagens que estão no filme são bem-construídos e psicologicamente bem-trabalhados, de modo que mesmo que o personagem de Matthew Macfadyen tenha ciúmes de seu irmão por ele ser profissionalmente bem-sucedido, consegue passar ao espectador controle emocional, além de controlar os convidados para o funeral de seu pai.Um show à parte é dado por Alan Tudyk (que também fez “Patch Adams”), quando está sob efeito das drogas alucinógenas, e sobe, completamente nu, no telhado da casa onde estão todos. Uma das imagens, aliás, homenageia a escultura “O Pensador”, do escultor francês Auguste Rodin, quando ele se senta no telhado e coloca uma das mãos na testa.

Oz consegue mostrar com suas lentes cenas variadas dentro de um mesmo ambiente, movimentando os atores com maestria. Com roteiro escrito por Dean Craig, o filme mistura personagens variados, mas sempre com o toque de humor inteligente, e não aquele escrachado. O espectador, aliás, vai se divertir justamente porque será levado a rir pelo conjunto das ações de cada personagem, e não propriamente por conta de uma cena específica (se bem que as protagonizadas por Peter Vaughan, no papel de tio Alfie, são engraçadas).

“Morte no Funeral” brinca com coisa séria, pois é com tristeza que as pessoas vão a um funeral de um ente querido. No entanto, com tantos acontecimentos bizarros, incluindo a revelação do convidado misterioso, é impossível não rir e se divertir.

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