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Ray

04 fev 2005

written by Memória Cinematográfica

A história da vida de Ray Charles chega aos cinemas do País nesta sexta, 4. Tanto as coisas boas (a luta contra a segregação racial, a brilhante música), quanto as ruins (a traição à esposa, as drogas) estão lá em “Ray”.

Tudo está escancarado para quem quiser apreciar, conhecer, admirar, mas, sobretudo, se emocionar com a história que o diretor Taylor Hackford (“O Advogado do Diabo”) passou 15 anos para escrever ao lado do astro norte-americano, antes de ele falecer em junho do ano passado.

Quem interpreta o papel principal é Jaime Foxx, um ator que teve seu reconhecimento tardio, mas que incorporou a figura do músico muito bem. O papel, aliás, lhe foi entregue praticamente das mãos do homenageado. Na disputa pelo Oscar de Melhor Ator, Foxx também é indicado como Melhor Ator Coadjuvante por “Colateral“, longa estrelado por Tom Cruise.

Para aprender como vive um cego, Jamie Foxx passou 12 horas com os olhos vendados durante os ensaios. Uma das qualidades de Foxx que facilitou a escolha de quem viveria Ray Charles no cinema é o fato de ele também ter começado a tocar piano aos três anos.

Para contar a história toda, foram usadas 40 canções diferentes. O supervisor musical Curt Sobel teve livre acesso ao material gravado por Ray Charles. Embora Sobel acredite que Foxx tivesse talento para recriar a voz do músico, o ator fez apenas a sincronia labial para encaixar a voz original por cima. Algumas cenas, aliás, podem ser o ponto fraco do longa, uma vez que é possível assimilar a dublagem.

Situado entre as décadas de 50, 60 e 70, o filme retrata os típicos problemas da época, como o forte racismo que existia no Estado da Geórgia. Quando recusa uma apresentação em virtude da segregação racial, Ray Charles dá o pontapé inicial na luta contra o preconceito.

A começar por sua infância pobre no interior da Flórida, o longa-metragem é focado principalmente em sua mãe, nas lições que ela lhe ensinou desde que nasceu, passando pelo momento em que ficou cego, aos sete anos, até mandá-lo para a escola especializada em deficientes visuais.

“Lá eles vão lhe ensinar o que eu já não posso mais”, diz a mãe Aretha Robinson (Sharon Warren). Outra lição que ela lhe deu é sobre nunca permitir que o tratem como um aleijado pelo fato de ser cego.

Um dos momentos mais chocantes e emocionantes da trama é quando Ray assiste ao irmão caçula, George, se afogar em uma bacia e falecer. Por muito tempo em sua vida ele se lembrou do menino, principalmente durante as “viagens” feitas a convite da heroína.

Quando aprendeu a tocar piano, Ray seguiu para Seattle, como forma de se aprimorar como jazzista. Sofreu nas mãos de atravessadores que queriam se dar bem às suas custas, conheceu de perto as drogas e o mal que elas podem fazer, como encaminhá-lo para a prisão e para uma clínica de reabilitação, mas também foi descoberto pela Atlantic Records, momento em que teve reconhecimento mundial. O filme também fala do seu amor por Della Bea (Kerry Washington), sua esposa, e com quem teve dois filhos.

O diretor lembra que Charles uma vez lhe disse: “Pode contar a história que quiser e pode me fazer parecer como quiser, mas não deixarei que não contem a verdade, porque isso não seria certo”.

Ray Charles foi uma das poucas pessoas que conseguiram reunir em seu trabalho jazz, blues, soul, rock and roll, gospel e música country, e conquistar uma legião de fãs no mundo inteiro. Só no Brasil ele esteve sete vezes, sendo a última em setembro de 1995. Três meses antes, se apresentou para 150 mil pessoas em um show gratuito no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

Em sua carreira, conquistou 12 Grammy (o Oscar da música), principalmente por conta das canções “Hit the Road Jack”, “I Cant Stop Loving You” e “Busted”.

Agora, com o filme, Ray Charles teria tudo para colecionar pelo menos um dos gêneros cinematográficos na festa que acontece dia 27 de fevereiro em Hollywood, já que disputa em seis categorias: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Diretor, Melhor Figurino, Melhor Edição e Melhor Mixagem de Som.

Comentários

Jamie Foxx está realmente bem no filme. Na minha opinião, tem tudo pra levar o Oscar de Melhor Ator pra casa. A história é longa, e tenho ouvido críticos dizerem que a história é piegas. Ora, mas é a vida do cara. E creio que o diretor conseguiu contá-la bem, principalmente encaixando as músicas do cantor. Agora resta saber, dia 27 de fevereiro, se Hollywood vai achar o mesmo.

 


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